CICV afirma que armas nucleares são um ‘risco inaceitável’ e devem ser descartadas

27 abril 2015
CICV afirma que armas nucleares são um ‘risco inaceitável’ e devem ser descartadas

O Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) faz um apelo aos governos para que tomem medidas urgentes para o descarte de todas as armas nucleares. O apelo precede uma conferência crucial organizada pela ONU em Nova York, no fim deste mês, que revisará os avanços na desaceleração da expansão das armas nucleares e a eliminação dessas armas dos atuais arsenais.

"Setenta anos depois das bombas que devastaram Hiroshima e Nagasaki, as armas nucleares continuam impondo um risco inaceitável para a humanidade", afirmou o presidente do CICV, Peter Maurer, em um discurso proferido na Conferência de Revisão do Tratado de Não Proliferação Nuclear.

"O poder de destruição dessas armas é inigualável, o seu impacto potencial, catastrófico, e mesmo assim elas continuam sendo a única arma de destruição em massa que ainda não foi proibida".

Maurer fez um apelo aos quase 190 Estados que participaram da conferência para que façam dela um momento crucial na tomada de decisões referentes a
esta área. Também afirmou que os compromissos de longa data para eliminar as armas nucleares do mundo, devem ser cumpridos com urgência. Finalmente, declarou que os Estados devem estabelecer um cronograma claro para eliminá-las.

Sempre esteve claro que qualquer uso das armas nucleares teria consequências catastróficas. Mas pesquisas recentes esclarecem a completa escala do impacto potencial delas, tornando imperativo que os Estados estabeleçam um prazo para chegar a um acordo legalmente vinculante para proibir as armas nucleares e eliminá-las de uma vez por todas.

Técnicas modernas de simulação climática sugerem que até mesmo a chamada guerra nuclear "limitada" poderia provocar um esfriamento climático global, reduzindo a produção de alimentos e fazendo com que um bilhão de pessoas corram o risco de sofrer de fome.

Na maioria dos casos, não haveria meios realistas para prestar assistência às pessoas que conseguirem sobreviver. Setenta anos depois de Hiroshima e Nagasaki, os hospitais da Cruz Vermelha Japonesa continuam tratando vítimas de câncer e leucemia atribuídos à radiação proveniente das explosões atômicas.

Ainda assim, os avanços na eliminação das armas nucleares continuam lentos, ao mesmo tempo em que alguns Estados financiam programas para modernizar os seus arsenais nucleares que manteriam essas armas ativas por décadas. A preocupação do CICV é que essa ação possa incentivar a futura proliferação pode parte de outros Estados.

Em vista disso, o CICV pede aos Estados que possuem armas nucleares –e os seus aliados – que tomem medidas imediatas para reduzir o papel e a importância das armas nucleares nos seus planos, doutrinas e políticas militares.

"É cada vez mais claro que as consequências humanitárias devastadoras geram sérias dúvidas quanto a se as armas nucleares poderiam alguma vez ser usadas em conformidade com as leis de guerra", afirmou o presidente.

"Isso nos leva, repetidamente, à conclusão de que o uso de armas nucleares deve ser proibido e que elas devem ser eliminadas por completo."

Mais informações:
Francis Markus, CICV Genebra, tel: +41 79 217 32 04