Equipes móveis levam saúde para somalis que estão "muito, muito longe"

28 julho 2017
Equipes móveis levam saúde para somalis que estão "muito, muito longe"
Maryan Maalin observa o enfermeiro que mede a circunferência do seu braço (MUAC). CC BY-NC-ND / CICV / Mohamed Abdikarim

 As famílias pareciam surgir do nada. A morte e a doença pairam os moradores rurais neste vilarejo remoto e solitário, dando a essa região atingida pela seca um ar tranquilo e espectral.

Nas quartas-feiras, no entanto, a equipe móvel de saúde chega. O vilarejo de Ceel-Qorrah presencia uma explosão de atividade: mães e as suas crianças fazem fila e, uma vez que a van com o símbolo do Crescente vermelho estaciona, começa o trabalho.

O combate à desnutrição e à doença é premente nestes pequenos sedentos vilarejos da Somália. Com a ajuda do Crescente Vermelho Somali, as equipes móveis são enviadas às comunidades isoladas e sem acesso à assistência à saúde devido a conflitos, desastres e distância.

Ceel-Qorrah, na região sul de Galgaduud, é um desses vilarejos. A seca devastou o gado e ameaçou o estilo de vida das comunidades pastorais. Os vilarejos visitados pelas equipes de saúde móvel estão até a cem quilômetros das grandes cidades mais próximas.

"Os vilarejos nos quais trabalhamos estão muito, muito longe", contou Dalmar, enfermeiro-chefe da unidade móvel que operam nessa área. "Não existe outro serviço de saúde além deste oferecido pelo Crescente Vermelho."

A equipe, formada por seis enfermeiros com casacos vermelhos distintivos, descarregou os equipamentos próximo a uma árvore e dentro de casas improvisadas feitas de varas entrelaçadas e teto de polietileno. Os enfermeiros pesam e medem as crianças, analisam casos de de desnutrição, enquanto as mães recebem as porções semanais de biscoitos de alto conteúdo calórico e de vitaminas para a família. Podia-se ouvir o choro das crianças que são vacinadas, enquanto que as parteiras prestavam atendimento pré-natal e pós-parto. As necessidades de saúde mais graves são direcionadas para a clínica do Crescente Vermelho mais próxima, a três horas de carro.

Somos todos um

Todo o vilarejo se sente vivo quando os moradores se congregam com pessoas das redondezas. A equipe do Crescente Vermelho leva os seus voluntários da região, aumentando ainda mais o sentido de orgulho da comunidade.

"Onde quer que vamos, vamos à nossa população somali que precisa de ajuda", afirmou Dalmar. "E eles nos dão as boas-vindas e arrumam um lugar para trabalharmos. São nossos irmãos. Somos todos um. Não somos diferentes."

Ishaaq Moalim, um dos enfermeiros da equipe móvel de saúde do Crescente Vermelho, compartilha um momento relaxado com as mulheres enquanto cadastrava as crianças para vacinação. CC BY-NC-ND / CICV / Mohamed Abdikarim

O Crescente Vermelho, com o apoio do Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV), opera onze clínicas móveis no sul e no centro da Somália. Seis operações começaram este ano como parte de um aumento na resposta contra a seca. As clínicas móveis também duplicaram, o que é um indicador dos alarmantes níveis de desnutrição e surtos de doenças como cólera, ocorrências comuns quando predominam as condições de estiagem.

O CICV também apoia 20 clínicas do Crescente Vermelho no sul e no centro da Somália, assim como quatro hospitais – dois em Mogadíscio, um em Kismayo e outro em Baidoa. O CICV se beneficia da forte parceria com o Crescente Vermelho para disponibilizar a assistência à saúde graças à rede de voluntários e funcionários dessa Sociedade Nacional em todo o país.

"Os somalis têm uma forte tradição e raízes, portanto onde quer que vamos somos bem recebidos", afirmou Dalmar, acrescentando: "E para nós, qualquer serviço que podemos prestar para eles, prestamos".

Com as chuvas de Gu (de abril a junho), em geral, as comunidades pobres e rurais agora enfrentam meses de incerteza – uma perspectiva familiar para eles – enquanto esperam as chuvas de outubro. Embora as necessidades deles sejam enormes, o acesso à assistência à saúde é um problema menos para enfrentar hoje.