Iêmen: apelo para entrega desimpedida de material médico enquanto persiste conflito intenso

31 março 2015
Iêmen: apelo para entrega desimpedida de material médico enquanto persiste conflito intenso
Sanaa, Iêmen, 29 de março de 2015. Equipe do CICV conversa com pessoas cujas casas foram danificadas ou destruídas por ataques aéreos. [CC BY-NC-ND / CICV / S. Ammane / v-p-ye-e-01088]

Sanaa/Genebra – O Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) fez um apelo na terça-feira para que fossem retirados todos os obstáculos à entrega do material médico vital necessário para atender as vítimas de uma semana de confrontos e ataques aéreos mortais no Iêmen.

Um carregamento de material médico do CICV suficiente para atender entre 700 e mil pessoas deveria chegar por via aérea na terça-feira, para ser distribuído a hospitais em todo o país, cujos meios para tratar os feridos de guerra estão se esgotando.

Até o momento, os esforços para negociar a chegada segura do avião não obtiveram sucesso.

"Há vítimas em todo o país. Houve ataques aéreos no norte, no oeste e no sul, e confrontos entre grupos armados iemenitas opositores no centro e no sul que geram uma pressão imensa nos serviços médicos já debilitados", afirmou Cedric Schweizer, que lidera uma equipe do CICV composta por 300 pessoas no Iêmen.

Sanaa, Iêmen, 29 de março de 2015. Equipe do CICV conversa com pessoas cujas casas foram danificadas ou destruídas por ataques aéreos. [CC BY-NC-ND / CICV / S. Ammane / v-p-ye-e-01089]

"Para que os feridos recebam o tratamento que precisam, é essencial que entreguemos os remédios e os kits cirúrgicos", acrescentou. Uma equipe médica do CICV deve chegar em breve à cidade de Aden, no sul do país, onde o número de vítimas é mais alto.

O CICV insta para que os profissionais humanitários possam trabalhar em segurança após um voluntário do Crescente Vermelho Iemenita, Omar Ali Hassam, ter sido morto a tiros na segunda-feira na província de A Dhalea, ao sul do país, quando evacuava pessoas feridas.

O CICV também manifestou a sua apreensão com relação ao elevado número de vítimas civis e reiterou que as pessoas envolvidas no conflito armado devem respeitar o Direito Internacional Humanitário (DIH), que protege as pessoas que não participam dos combates, e que se esforcem para proteger a vida e os bens civis contra danos.

Segundo o DIH, é proibido lançar ataques que possam levar à perda incidental entre os civis ou que causem a destruição de bens civis que poderia ser desproporcional à direta vantagem militar concreta e antecipada.

As seis noites de ataques aéreos e intenso combate terrestre se somaram aos anos de conflito, seca e insegurança, fazendo com que grande parte da população enfrentasse dificuldades para ter acesso aos serviços básicos de saúde, alimentos e fornecimento de água.

O CICV conta com escritórios em Sanaa, Saada, Aden e Taiz, que continuam realizando as suas atividades humanitárias.

Garantir uma resposta médica rápida

Nas províncias do sul, o CICV aumentou o seu apoio a hospitais, uma vez que os estabelecimentos do Ministério da Saúde enfrentam dificuldades para lidar com fluxo de pessoas feridas nos enfrentamentos e batalhas nas ruas.

O CICV ajudou a reabrir, no dia 22 de maio, o hospital em Aden e forneceu um kit que continha material médico para atender entre 50 e 70 pacientes feridos de guerra. Foram montadas tendas de triagem no hospital Al Jomhouri, um dos principais centros de tratamento em Aden, o que acelerará a avaliação e o encaminhamento de pacientes. Centros de saúde nas províncias de Taiz, Lahj e Al Dhalea, no sul do país, também receberam apoio do CICV. Continuam os esforços para garantir que os hospitais da região tenham acesso à água potável.

Sanaa, Iêmen, 29 de março de 2015. Equipe do CICV conversa com pessoas cujas casas foram danificadas ou destruídas por ataques aéreos. [CC BY-NC-ND /CICV / S. Ammane / v-p-ye-e-01090]

Em Saada, a situação continua extremamente tensa com ataques aéreos nas províncias do norte. O CICV forneceu remédios para o hospital de Al Munabeh e para o hospital da cidade de Al Jomhouri, que recebe um fluxo constante de pacientes feridos de guerra. A organização também ajudou a consertar o gerador neste segundo estabelecimento médico.

Na capital Sanaa, os ataques aéreos em toda a cidade continuaram, levando ao limite os serviços de saúde da cidade. Em resposta aos bombardeios de Al-Hoshoosh e da mesquita de Badr na cidade em 20 de março, que deixou pelo menos 140 pessoas mortas e outras 340 feridas, o CICV forneceu dois kits completos de material médico para o tratamento de feridos de guerra, além de material médico para três hospitais que atendem a maioria das vítimas.

Mais informações:
Marie Claire Feghali, CICV Sanaa, tel: +967 73 607 19 67 ou +967 71 194 4343
Sitara Jabeen, CICV Genebra, tel: +41 22 730 24 78 ou +41 79 536 92 31

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