República Centro-Africana: CICV faz um apelo para que se respeitem a vida e a dignidade humanas

06 novembro 2015
República Centro-Africana: CICV faz um apelo para que se respeitem a vida e a dignidade humanas
Hospital comunitário de Bangui. Um paciente em uma das tendas anexas do hospital. Essas tendas foram montadas para atender o fluxo crescente de pacientes. CC BY-NC-ND/CICV/Anna Mayumi Kerber

Genebra / Bangui – O Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) está profundamente preocupado com a intensificação da violência na República Centro-Africana. A organização faz um apelo a todas as partes em conflito, líderes de grupos armados e combatentes individuais que respeitem a vida e a dignidade humanas, poupem os civis e facilitem a ação humanitária neutra, independente e imparcial.

"Desde o final de setembro, dezenas de pessoas foram mortas e centenas de outras foram feridas em Bangui", afirmou a diretora regional de Operações do CICV na África, Patricia Danzi. "Centenas de crianças doentes e mulheres grávidas não podem chegar às clínicas e maternidades. Milhares de famílias estão na miséria, as suas casas foram incendiadas e os seus meios de subsistência, destruídos. Vivem em constante estado de medo."

Os enfrentamentos entre grupos armados, a violência interétnica e o aumento do crime generalizado estão afetando todos os níveis da sociedade a República Centro-Africana e a situação humanitária está inexoravelmente piorando. "É preciso fazer esforços de ajuda rápidos e efetivos, mas a equipe do Movimento Internacional da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho não consegue chegar às pessoas feridas e às que precisam de ajuda", acrescentou Danzi.

O Direito Internacional Humanitário (DIH) proíbe qualquer tipo de ataque dirigido contra os civis e os bens civis, como casas, escolas, estabelecimentos de saúde e lugares de culto. As pessoas que estão doentes, feridas ou detidas devem ser tratadas com humanidade. Os profissionais de assistência à saúde devem ser protegidos e o trabalho dos profissionais humanitários deve ser facilitado em todas as circunstâncias.

"Quando o Direito e os princípios humanitários não são defendidos, quando o acesso dos feridos e doentes é impedido, quando as famílias não podem enterrar os seus mortos segundo os seus ritos religiosos ou tradições, quando a violência leva à suspensão de atividades humanitárias vitais, a humanidade em si é desrespeitada", concluiu Danzi.

Mais informações:
Germain Mwehu, CICV Bangui, tel.: +236 75 64 30 07
Claire Kaplun, CICV Genebra, tel.: +41 22 730 31 49 ou +41 79 244 64 05

As equipes do CICV e do hospital comunitário de Bangui preparam um paciente ferido por arma para a cirurgia. CC BY-NC-ND/CICV/Ronald Kradjeyo