Sudão do Sul: hospital de Maridi em pleno funcionamento – CICV fortalece apoio

15 outubro 2015
Sudão do Sul: hospital de Maridi em pleno funcionamento – CICV fortalece apoio
O Hospital de Maridi voltou a funcionar plenamente depois da explosão de um tanque de combustível. As vítimas com queimaduras tiveram maiores chances de sobrevivência com as equipes no terreno prestando apoio cirúrgico e fisioterapêutico incessante. CC BY-NC-ND / CICV / Greg Mueller

Após a explosão de um tanque de combustível em Maridi no mês passado, o Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV), em cooperação com a Cruz Vermelha do Sudão do Sul, foi a primeira equipe em responder. O desastre custou as vidas de pelo menos 200 pessoas e deixou aproximadamente o mesmo número de pessoas feridas e gravemente afetadas. Duas equipes cirúrgicas, dez toneladas de material e equipamento médicos, assim como abrigos de emergência, para as famílias das vítimas, foram enviados para o hospital local menos de 24 horas depois que o acidente ocorreu.

Três semanas depois, os pacientes continuam convalescendo. Muitos começaram um longo processo de cura que exige constante atendimento médico. O CICV se comprometeu a apoiar o hospital de Maridi durante os próximos três meses. "É o período que normalmente as feridas mais graves precisam para se curar", explicou Martin Agge Norgaard, um dos cirurgiões enviados durante a emergência.

"Os curativos dos pacientes com queimaduras precisam ser trocados regularmente para ajudar na recuperação da pele e na prevenção de infecções. É preciso um considerável número de profissionais bem-treinados para essa tarefa", afirmou Norgaard, médico dinamarquês que chegou ao país há apenas algumas semanas antes do trágico incidente.

Nas duas salas de cirurgia montadas pelo CICV em Maridi, as feridas de 20 pacientes são limpas e os curativos são trocados todos os dias por cirurgiões como Norgaard. Foi feita uma parceria com a escola local de enfermagem para reunir estudantes para ajudar a equipe médica. Um grupo de fisioterapeutas também se juntou à equipe para facilitar a reabilitação das vítimas.

Depois dos recentes confrontos, o hospital foi saqueado e os profissionais de saúde foram embora. Como parte da resposta à explosão de combustível, o CICV colocou o estabelecimento em funcionamento com a colaboração de voluntários da Cruz Vermelha do Sudão do Sul e de outros atores humanitários, incluindo MSF e Handicap International.

Depois das primeiras semanas críticas, o atendimento ambulatorial agora foi retomado com o apoio da organização Africa Action Help International, o que permite que a população local recupere o acesso à assistência à saúde. Atualmente, 64 pacientes queimados ainda estão no estabelecimento de saúde e 165 já foram tratados até o momento. Dezenas de novos casos - de acidentes de trânsito a cesáreas - são atendidos pelo CICV e pelos seus parceiros.

Em consonância com o Ministério da Saúde, o CICV está temporariamente gerenciando o funcionamento do hospital até o final do ano, ademais da farmácia e do fornecimento de materiais médicos e não médicos. As equipes do CICV também asseguram o apoio cirúrgico e fisioterapêutico, enquanto a Cruz Vermelha do Sudão do Sul atende nos plantões noturnos no hospital.

Uma comunidade incrivelmente resiliente

"Fiquei muito impressionado com o estoicismo dos pacientes, apesar da terrível situação deles e da dor aguda", explicou Norgaard. Ele ficou comovido especialmente com Alex, um menino de sete anos que perdeu o pai e a mãe na explosão e estava sozinho no hospital com a irmã mais velha.

"Como ele era muito jovem, tínhamos que trocar os seus curativos sem analgésicos potentes. Ele foi muito valente e segurou a minha mão o tempo todo, sem reclamar uma única vez. Fiquei muito triste depois", contou o cirurgião. "No início, temia que muitas pessoas fossem morrer, mas os dias iam passando e a maioria delas começava a melhorar, incluindo Alex, que recebeu alta logo depois".

"Trabalhamos com recursos simples, mas o corpo humano tem uma incrível habilidade de se curar. Precisa de uma ajudinha, no entanto. Acredito que o nosso trabalho faz a diferença para os pacientes".

Fatos e números: de janeiro a outubro de 2015

Para apoiar o acesso à saúde e atendimento cirúrgico, o CICV:

  • Fez quase 3,9 mil cirurgias
  • Realizou mais de 76 mil consultas ambulatoriais
  • Forneceu material médico a 75 prontos-socorros e estabelecimentos assistência à saúde

Proporcionou atendimento pré-natal para 3,2 mil mulheres, realizou 210 partos seguros e aplicou mais de 5,5 mil doses de vacinas para crianças com menos de um ano

  • Assistiu quase 1,8 mil pessoas com deficiência
  • Evacuou 455 feridos de guerra

Para ajudar a fortalecer a resiliência das pessoas deslocadas e das comunidades afetadas por conflitos, o CICV e a Cruz Vermelha do Sudão do Sul:

  • Distribuíram mais de 680 mil cestas alimentares
  • Forneceram utensílios domésticos para 90 mil pessoas
  • Entregaram sementes e ferramentas agrícolas a quase 300 mil pessoas e kits de pesca para outras 90 mil
  • Vacinaram mais de 521 mil cabeças de gado
  • Trataram 90 mil animais, beneficiando mais de 180 mil pessoas
  • Treinaram 192 profissionais comunitários em saúde animal e forneceram remédios
  • Garantiram o acesso à água potável para mais de 192 mil pessoas por meio da reabilitação de 173 pontos de abastecimento
  • Instalaram pontos de água emergenciais beneficiando 55 mil pessoas em resposta ao surto de cólera

Através de visitas aos centros de detenção, o CICV apoia as autoridades na adesão aos parâmetros internacionais:

  • Visitou 4,4 mil detidos em todo o país
  • Melhorou as condições de vida para 2,5 mil detidos e implementou medidas de prevenção à cólera

Para ajudar a restabelecer o contato entre familiares separados pelo conflito, o CICV e a Cruz Vermelha do Sudão do Sul:

  • Facilitaram 14 mil telefonemas entre familiares separados pelo conflito
  • Distribuíram mais de 3 mil Mensagens Cruz Vermelha
  • Reuniram 26 crianças e pessoas vulneráveis com as suas famílias

Para promover o conhecimento e o respeito pelo Direito Internacional Humanitário (DIH), o CICV:

  • Treinou 1.160 portadores de armas de ambos os lados do conflito em DIH e 321 portadores de armas, policiais e bombeiros em primeiros socorros e acesso mais seguro para a assistência à saúde

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