Venezuela: serviços de saúde devem continuar em qualquer circunstância

27 junho 2017

O respeito e a proteção da vida dos profissionais de saúde e dos hospitais, ambulâncias e material médico, em qualquer circunstância, são necessários para garantir que os doentes e feridos possam receber uma assistência à saúde efetiva.

Quatro integrantes do Movimento Internacional da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho na Venezuela – três da Cruz Vermelha Venezuelana e um do CICV – falam sobre a importância do respeito aos serviços de saúde a partir das suas experiências. Todos ressaltam que deve ser feito um trabalho de conscientização para garantir esse respeito: uma questão de vida ou morte.

Rudy Lukamba, médico do CICV na Venezuela

"Podem-se resumir os serviços de saúde como sendo o encontro entre a pessoa com necessidades em saúde e os profissionais qualificados que podem lhe oferecer o serviço; qualquer situação que impeça esse encontro não respeita a sua importância vital.

Quando há um desastre natural, um conflito armado ou situações de violência, muitos serviços podem chegar a ser suspensos, mas nunca o de saúde ou outros serviços vitais para a população, porque isso tem graves consequências humanitárias. Eles devem continuar em qualquer circunstância para poder salvaguardar a vida.

Qualquer impedimento à prestação dos serviços de saúde contribui para agravar uma situação em que há um sério impacto humanitário. Em alguns países, por exemplo, temos visto como os serviços são suspensos devido a ataques contra os hospitais, ambulâncias e profissionais. Essas ações acabam afetando a assistência à saúde de toda a população."

"A confiança é vital"

Carlos Ruiz Pinto, diretor nacional de saúde da Cruz Vermelha Venezuelana e do hospital da instituição em Valencia, Carabobo

Todas as pessoas devem cuidar dos serviços de saúde, já que "qualquer um pode necessitá-los a qualquer momento".

"Sempre se deve cuidar como as pessoas são atendidas e respeitar os que prestam o serviço no estabelecimento de saúde; este é o meu conselho." Um enfermeiro, uma ambulância, um hospital afetado, são milhares de pessoas em risco.

Rafael Uzcátegui, chefe da unidade de socorro da Filial de Mérida da Cruz Vermelha Venezuelana

"É importante que as pessoas respeitem os serviços de saúde para podermos ter acesso aos pacientes. A confiança que depositam em nós é vital. Fizemos uma difusão prévia explicando quais são as nossas funções, as nossas unidades e como estamos vestidos, e isso ajudou para que, quando nos vejam chegar, facilitem o trabalho."

Uzcátegui lembrou que em algum momento, quando há restrições, "falamos com as pessoas ou autoridades e nos deixam passar. Fazemos um trabalho cotidiano permanente, estamos em contato com a comunidade e as autoridades."

Respeitar os serviços de primeiros socorros é respeitar os serviços de saúde

Remedio Romero, presidente da filial de El Tigre (Anzoátegui) da Cruz Vermelha Venezuelana

"Os socorristas que prestam primeiros socorros fazem parte dos serviços de saúde, devendo ser respeitados pelo seu trabalho de assistência vital. Capacitamos nossos socorristas, não somente sobre os aspectos técnicos dos primeiros socorros, mas também sobre a questão do respeito aos serviços de saúde. Devemos continuar desenvolvendo e promovendo a importância desse respeito. Trata-se da vida das pessoas.

Em circunstâncias difíceis, digo aos meus voluntários para sempre manter a calma, ter paciência e ser humilde no momento de pedir e prestar assistência à saúde. Isso também é respeito."