A violência não cessa com a COVID-19, diz o CICV ao apresentar seu relatório humanitário de 2020

A violência não cessa com a COVID-19, diz o CICV ao apresentar seu relatório humanitário de 2020

Cidade do México (CICV) – A Delegação Regional do Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) para o México e a América Central apresentou o Relatório de Atividades 2020, que destaca suas principais preocupações humanitárias para a região: a violência, a migração, o deslocamento interno, o desaparecimento de pessoas e a condição das pessoas privadas de liberdade. Tais situações podem se agravar com a atual pandemia.
Comunicado de imprensa 22 abril 2020 México El Salvador Honduras Guatemala Nicarágua Costa Rica

México: relatório de atividades 2020 (em espanhol)

América Central: relatório de atividades 2020 (em espanhol)

"Em meio à crise mundial desencadeada pela pandemia do coronavírus 2019 (COVID-19), o trabalho humanitário neutro e independente, capaz de contribuir para mitigar o sofrimento, em especial das pessoas mais vulneráveis, é hoje mais indispensável do que nunca", afirmou Jordi Raich, chefe da Delegação Regional do CICV para o México e a América Latina, ao apresentar o relatório.

Embora a pandemia seja um desafio para todos, as consequências humanitárias ligadas à violência e vividas por muitas pessoas no México e na América Central não terminaram. Pelo contrário: elas aumentam no contexto atual. "As comunidades afetadas pela violência e pela marginalidade são as que mais sofrerão os efeitos da pandemia no longo prazo. Portanto, precisamos de ações coordenadas para protegê-las", disse Raich. "Todas as medidas que forem adotadas para enfrentar essa situação deverão considerar a necessidade e a não discriminação, assim como os direitos e as necessidades específicas dos mais vulneráveis."

O Relatório de Atividades 2020 resume o trabalho que o CICV realiza na região em conjunto com as Sociedades Nacionais da Cruz Vermelha, autoridades e organizações da sociedade civil. Destaca as necessidades das pessoas que, em situações adversas, procuram viver em ambientes mais seguros e dignos, melhorar a situação das suas famílias e, em muitos casos, encontrar seus entes queridos desaparecidos.

Os migrantes, as pessoas privadas de liberdade e os familiares de desaparecidos, assim como os indivíduos que vivem em comunidades especialmente afetadas pela violência, são os principais beneficiários da ação humanitária do CICV no México e na América Central. A organização conta com escritórios permanentes na Cidade do México, Tegucigalpa e San Pedro Sula (Honduras), San Salvador, Cidade da Guatemala e Manágua (Nicarágua).

Em 2019, o CICV beneficiou mais de 207.600 pessoas de forma direta. Entre elas, 90.450 pessoas no México, 45.900 em Honduras, 16.357 na Nicarágua, 22.844 em El Salvador e 32.132 na Guatemala. Essas ações incluíram assistência à saúde para as comunidades afetadas pela violência e para os migrantes, construção de infraestrutura comunitária e albergues, apoio a processos de busca de desaparecidos, atividades para fortalecer a resiliência das comunidades e capacitações para funcionários púbicos, assim como diálogo e assessoramento às autoridades e outras partes interessadas em apoio a políticas públicas que preveem e respondem às necessidades das pessoas afetadas.

Principais preocupações humanitárias

No caso dos migrantes, o CICV procura mitigar as consequências humanitárias da violência que eles enfrentam em sua jornada. Muitas vezes, essas pessoas perdem o contato com as famílias, são vítimas de atos violentos ou acidentes, desaparecem ou morrem. O CICV também acompanha com atenção os impactos humanitários que podem decorrer das recentes mudanças nas políticas migratórias dos países.

Além de velar pelo respeito aos direitos humanos dos migrantes e apoiá-los com a prestação de assistência à saúde e ações de proteção, o CICV contribuiu para que eles pudessem manter contato com seus familiares, reduzindo assim o risco de desaparecimentos. Em 2019, a organização ofereceu 149 mil ligações telefônicas gratuitas no México, Guatemala e Honduras por meio das Sociedades Nacionais da Cruz Vermelha. Além disso, 165 migrantes amputados, em trânsito e retornados receberam próteses, órteses e apoio para reabilitação física.

A Delegação do CICV também mobilizou esforços para obter uma resposta à questão das pessoas desaparecidas e seus familiares. Milhares de indivíduos continuam desaparecidos na região em decorrência de conflitos armados, e todos os dias são registrados novos desaparecimentos por situações de violência ou processos migratórios.

"São necessários mecanismos de busca eficazes, ações coordenadas no âmbito regional e processos forenses para encontrá-los. Cada desaparecimento gera múltiplas necessidades humanitárias, que podem criar ou agravar condições de vulnerabilidade para quem busca", afirmou Raich.

O CICV beneficia também pessoas privadas de liberdade, que recebem visitas periódicas para garantir o respeito por seus direitos. Em 2019, foram realizadas mais de 74 visitas a lugares de detenção em toda a região, incluindo Honduras, Nicarágua, Guatemala, El Salvador e México. Essas ações beneficiaram mais de 7.772 pessoas privadas de liberdade.

México

Martin de Boer, chefe-adjunto da Delegação Regional, destacou que o aumento dos homicídios registrados no México em 2019 levou a uma intensificação das consequências humanitárias associadas. Entre elas desaparecimento, deslocamento interno, restrições ao movimento, extorsão e dificuldade de acesso aos serviços de educação e saúde.

"Os grupos armados continuam exibindo capacidade e disposição de usar a violência para conseguir seus objetivos, gerando medo nas comunidades onde estão presentes, com consequências – visíveis e invisíveis – também para a saúde mental dos moradores", afirmou Martin de Boer. "Tentaremos, no âmbito do nosso mandato, mitigar os efeitos humanitários causados pela violência armada na população."

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Fundado em 1863, o CICV é uma organização humanitária independente, neutra e imparcial que oferece proteção e assistência humanitária às vítimas de conflitos armados e outras situações de violência, promovendo o respeito pelo Direito Internacional Humanitário (DIH).

Mais informações:

María Cristina Rivera, coordenadora de comunicação do CICV para o México e a América Central: 52 5527551794
Ana Olivia Langner, oficial de relações públicas: 52 5537176427