Em sua apresentação, Krähenbühl abordou questões relacionadas ao futuro das ações humanitárias e ao papel do Direito Internacional Humanitário em um ambiente geopolítico cada vez mais complexo. O cenário global tem observado um aumento sem precedentes dos conflitos armados — atualmente são mais de 130 —, bem como das tensões geopolíticas e crises humanitárias, que estão transformando as relações internacionais e gerando graves preocupações sobre o futuro das ações humanitárias.
Krähenbühl alertou para uma preocupante “trilogia da guerra”, marcada pela glorificação dos conflitos, pela desumanização do outro e pela repetição de atrocidades acompanhadas da promessa de que “nunca mais” acontecerão. “Não fomos criados para atuar por décadas nos mesmos conflitos, mas essa tem sido a realidade — guerras que não terminam e populações que sofrem continuamente”, destacou.
Para o diretor-geral do CICIV, precisamos buscar uma melhor prevenção de conflitos, mais criatividade na resolução das dinâmicas da guerra e confiança no diálogo entre nações . “Estou muito preocupado com o futuro da humanidade, com as perdas de vida, com as pessoas desaparecidas. Os limites das guerras, impostos pelas Convenções de Genebra, precisam ser respeitados”, defendeu.
Pierre Krähenbühl comentou que, nesse contexto, potências emergentes estão exercendo um papel cada vez mais relevante na governança global e na resposta a esses desafios. Ele ressaltou a importância de iniciativas internacionais para reforçar o compromisso com essas normas, destacando a participação do Brasil. “O Brasil tem desempenhado um papel fundamental ao reforçar a importância do direito internacional humanitário e da resolução pacífica de conflitos”, disse. Junto com a África do Sul, o Cazaquistão, a China, a Jordânia, a França, o Brasil, o CICV, lançou uma iniciativa global para reforçar o compromisso com o Direito Internacional Humanitário.
Participaram da mesa de discussões a professora Maíra Simon, do Instituto de Relações Internacionais da Pontifícia Universidade Católica (PUC-Rio) e pesquisadora do BRICS Policy Center (BPC), e o professor Gustavo Robichez, coordenador Central de Parcerias e Inovação (CCPIN), subordinada à Vice-reitoria de Desenvolvimento e Inovação (VRDI) da PUC-Rio, que representou o reitor da universidade.