Comunicado de imprensa

“Estas armas pertencem ao passado”: décadas depois, minas terrestres e resíduos explosivos ainda matam e destroem vidas

Syria, Aleppo, 2026. Explosives collected by ICRC trained specialist staff  during the weapon clearance operation in Barlahin village in Aleppo.
Síria, Aleppo, 2026. Explosivos recolhidos por pessoal especializado formado pelo CICV durante a operação de desminagem na aldeia de Barlahin, em Aleppo.
Magnum para o CICV

Genebra — Todos os dias, minas terrestres e resíduos explosivos de guerra ceifam vidas, destroem famílias e devastam comunidades. Somente em 2024, 6.279 pessoas foram mortas ou feridas — 90 por cento delas civis e quase metade eram crianças (Monitor de Minas Terrestres 2025). Essas armas não apenas matam; elas deixam cicatrizes que duram décadas, negando às pessoas o acesso a terras agrícolas, escolas e hospitais, e forçando comunidades inteiras a viverem com medo.

No norte do Iraque, Sirwan Nabi, 16 anos, estava pastoreando ovelhas perto de casa quando viu um pequeno objeto brilhante no chão. Pensando que era inofensivo, ele o pegou. Era uma mina terrestre. A explosão lhe custou a mão direita e deixou fragmentos de metal nas suas pernas.

“Este incidente mudou completamente da minha vida”, conta Sirwan. “Não consigo fazer muitas coisas como antes. Escrever é difícil. Comer é difícil. Mas sou grato por estar vivo.”

Agora com 18 anos, Sirwan está determinado a continuar os estudos, embora ainda esteja anos atrás dos colegas. A sua história é um lembrete contundente de como as minas terrestres continuam prejudicando crianças, desestabilizando vidas e roubando o futuro de comunidades inteiras.

Do Sudeste Europeu ao Sudeste Asiático, os resquícios mortais da guerra continuam sendo uma ameaça diária. Minas da década de 1990 ainda estão sendo removidas nos Bálcãs. No Camboja, a contaminação data da década de 1970. No Laos, munições não detonadas de conflitos de mais de meio século atrás ainda ameaçam vidas hoje.

Apesar das alegações de utilidade militar, a história mostra que as minas terrestres são ineficazes na guerra moderna. Durante a Guerra do Golfo, em 1991, o Iraque plantou quase nove milhões de minas terrestres, acreditando que elas retardariam o avanço das forças por dias. Na realidade, esses campos minados foram superados em poucas horas usando equipamentos modernos – enquanto o legado mortal para os civis perdura há décadas.

“Não existe mina antipessoal ‘segura’”, explica o assessor jurídico do Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV), Fahad Ahmed. “Essas armas são ativadas pelas vítimas, causam danos indiscriminados e deixam riscos mortais por gerações.” Comparadas ao enorme sofrimento humano que causam, podemos questionar se essas armas ainda têm alguma relevância operacional. Essas armas pertencem ao passado e devem permanecer no passado.”

A Convenção sobre a Proibição de Minas Antipessoal (APMBC) vem sendo um sucesso global. Desde a sua adoção, reduziu drasticamente o número de vítimas, destruiu mais de 55 milhões de minas estocadas e estabeleceu uma rejeição quase universal dessas armas. Hoje, 161 países são signatários da Convenção, provando que o progresso é possível.

Porém, esse progresso é frágil. Qualquer retrocesso corre o risco de reverter décadas de conquistas humanitárias e condenar as futuras gerações a viverem com medo desses assassinos indiscriminados.

A comunidade global deve agir agora. Os Estados que aderiram ao tratado devem cumprir integralmente as suas obrigações. Os que ainda não aderiram devem fazê-lo sem demora. Proteger os civis hoje – e preservar gerações futuras – depende da manutenção e do fortalecimento da proibição global.

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Sobre o CICV

O Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) é uma organização neutra, imparcial e independente com um mandato exclusivamente humanitário que decorre das Convenções de Genebra de 1949. Ajudamos pessoas no mundo todo afetadas por conflitos armados e outras situações de violência, fazendo o possível para proteger as suas vidas e dignidade e para aliviar o seu sofrimento, muitas vezes ao lado dos nossos parceiros da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho.

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