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Solferino e o Comitê Internacional da Cruz Vermelha

01-06-2010 Reportagem

Contexto, Fatos e Informações – Junho de 2009

  Um resumo de Solferino & Henry Dunant:  

     

    ©CICV / hist-00110      
   
     
         

     

A batalha de Solferino aconteceu no norte da Itália em 24 de junho de 1859. Foi um episódio decisivo na luta pela unificação da Itália e também um momento importante na evolução do humanitarismo moderno. Está na origem do Movimento da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho e das Convenções de Genebra.

Tropas aliadas francesas e sardas, comandadas pelo imperador Napoleão III, enfrentaram soldados austríacos por volta das três horas da manhã do dia 24. Às seis horas, a batalha estava no auge. O sol forte se abateu sobre os 300 mil soldados, que atiraram, pisotearam, golpearam com baionetas e cortaram as gargantas de seus inimigos. Após 15 horas de carnificina e derramamento de sangue, cerca de 6 mil homens estavam mortos e mais de 35 mil ficaram feridos ou desapareceram.

Os serviços médicos dos exércitos francês e sardo ficaram sobrecarregados. O transporte para os feridos praticamente não existia; a comida e a água escassearam. Na igreja de Castiglione, a Chiesa Maggiore , um jovem suíço chamado Henry Dunant – que estava na região a negócios – fez o que pôde para tratar dos feridos e moribundos, com a ajuda de voluntárias locais. O grupo cuidou de todos os homens de forma igual, independente de que lado haviam lutado, inspirando as mulheres a inventar a frase “tutti fratelli” (todos irmãos). 

Considerado por muitos o pai do humanitarismo moderno, Henry Dunant também foi comprovadamente o primeiro repórter e jornalista a cobrir uma guerra. Em 1862, publicou por conta própria um relato dos danos provocados pela batalha, intitulado     Memória de Solferino (em inglês).    

A batalha de Solferino levou Dunant a incentivar a criação de uma organização neutra e imparcial para proteger e assistir os feridos de guerra (CICV). Ele também propôs que deveriam ser criadas sociedades voluntárias de socorro para tratar dos feridos – uma ideia que desencadeou na formação das Sociedades da Cruz Vermelha Nacional e do Crescente Vermel ho. Além disso, sugeriu que fosse estabelecido um princípio internacional para servir como base para essas sociedades, uma ideia que culminou nas Convenções de Genebra, que vão completar 60 anos em 12 de agosto de 2009.

Em 1901, Henry Dunant recebeu o primeiro Prêmio Nobel da Paz em reconhecimento ao que foi descrito como a'maior conquista humanitária do século XIX'. Agora, 150 anos mais tarde, seu legado sobrevive nas dezenas de milhares de funcionários e voluntários que, todos os dias, continuam ajudando as outras pessoas no mundo todo.

  Algumas informações que você deve saber sobre o CICV:  

  • Ao contrário do que se acredita, o CICV não é uma organização não-governamental (ONG) e nem uma organização internacional. Também não é um organismo interestatal. É uma agência privada, administrada por um comitê formado por 15 a 25 membros exclusivamente suíços, que estabelecem políticas e traçam estratégias.

  • A Guerra Germano-Dinamarquesa de 1864 foi a primeira a eclodir após a criação da Cruz Vermelha. Dois delegados foram enviados para o cenário dos confrontos para servir como intermediários neutros. Até o final de 1914, a equipe inicial de dez integrantes do Comitê tinha ampliado para 1.200 voluntários e funcionários pagos, que selecionavam as milhares de solicitações de informações sobre civis que haviam desaparecido no caos da Primeira Guerra.

  • Hoje, o CICV tem quase 11.800 funcionários em todo o mundo, incluindo 9.500 funcionários locais e mais de 1.300 funcionários internacionais.

  • Até o começo dos anos 90, apenas cidadãos suíços podiam servir como delegados do CICV no exterior.   Atualmente, quase a metade dos funcionários internacionais do CICV não é de nacionalidade suíç a.

  • Cerca de 90% dos recursos do CICV vêm dos Estados, mas apesar disso a organização é independente de qualquer governo.    

  • O CICV pede aos doadores mais de 1.1 bilhão de francos suíços para financiar seu trabalho em 2010, que tem um orçamento inicial quase recorde de 983 milhões.

  • Em 2009, a organização visitou quase meio milhão de detidos em 78 países e tribunais internacionais para monitorar suas condições de detenção.

  • O CICV reuniu 1.025 crianças com seus familiares no último ano, enquanto quase 509 mil Mensagens Cruz Vermelha foram recolhidas ou distribuídas (incluindo 143 mil Mensagens trocadas entre detidos e suas famílias), permitindo que familiares separados por conflitos armados pudessem saber notícias uns dos outros.

  • O número de pacientes nos centros de saúde apoiados pela organização aumentou em um terço entre 2008 e 2009 – de quase 3.5 milhões para cerca de 5.6 milhões.

  • Mais de quatro milhões de pessoas receberam alimentos do CICV no ano passado.

  • O CICV é o guardião das Convenções de Genebra e do Direito Internacional Humanitário, que determina as normas da guerra.

  • As maiores operações da organização incluem o Sudão, a Somália, Iraque, Afeganistão, Israel e os Territórios Ocupados e Autônomos, a República Democrática do Congo, Colômbia, Sri Lanka, Chade e Paquistão.

  • O lema do CICV é Inter Arma Caritas (Em meio à guerra, Caridade).

  Veja também: Civis em tempos de guerra: o que o mundo pensa sobre isso