ma jovem na parte leste da República Democrática do Congo se reencontra com seus pais depois de fugir dos combates em sua aldeia. Ela acaba de ser repatriada pelo CICV. Foto: Pascal Nepa

Agência Central de Busca: reconectar, reunir e resolver – agora e no futuro

Nos últimos 150 anos, a Agência Central de Busca do CICV tem ajudado pessoas separadas de seus entes queridos. Somos um intermediário neutro, designado pelas Convenções de Genebra para ajudar as partes e para remediar a separação de famílias e o desaparecimento de pessoas em conflitos armados.
Artigo 14 março 2022

Em tempos de conflito ou crise, famílias são separadas e pessoas morrem ou desaparecem, o que gera sofrimento e incerteza para quem fica para trás. Não saber o paradeiro ou o que aconteceu com um ente querido provoca um impacto devastador e profundo que pode durar décadas.

Além de ajudar as pessoas separadas de seus entes queridos em tempos de conflito, a Agência Central de Busca também coordena os esforços globais do Movimento Internacional da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho para proteger e restabelecer laços familiares, procurar e identificar pessoas desaparecidas, proteger a dignidade dos mortos e atender às necessidades das famílias de pessoas desaparecidas.

"O mundo mudou drasticamente desde que o CICV deu início às atividades de busca há 150 anos. O que não mudou foi que a guerra, a violência, as catástrofes naturais e o deslocamento continuam separando famílias e causando um sofrimento imenso."

Florence Anselmo, diretora da Agência Central de Busca

O número de pessoas que desaparecem ou cujos corpos não estão identificados continua aumentando de forma alarmante em todo o mundo. O CICV registrou mais de 29 mil novos casos de pessoas desaparecidas em 2021, o que eleva o número atual de casos acompanhados em 2022 para 173.800, um aumento de 75% nos últimos cinco anos.

Isso se deve a situações de violência e conflitos cada vez mais complexos e prolongados, à circulação de um grande número de pessoas por rotas migratórias que abrangem diversas fronteiras e regiões, e às consequências de catástrofes devastadoras.

Hoje, mais de 550 especialistas do CICV – gerentes de caso, analistas de dados, especialistas forenses, psicólogos e advogados – trabalham com a Agência Central de Busca em todo o mundo. Esses profissionais cooperam com as 192 Sociedades Nacionais da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho que formam a rede de Restabelecimento de Laços Familiares. Juntos, procuramos pessoas desaparecidas e reconectamos famílias separadas por fronteiras e por linhas de frente da Colômbia ao Iraque, da Geórgia às Filipinas.

Assista ao vídeo Agência Central de Busca: conectando famílias (em inglês)

Para acompanhar as necessidades das pessoas – e os contínuos avanços tecnológicos –, a agência está passando por um período de transformação de cinco anos (2020–2025) cuja meta é fortalecer as bases e se adaptar aos crescentes desafios. A inovação sempre esteve no cerne da Agência Central de Busca.

Ao adotar e adaptar novas técnicas digitais e melhorar a administração e análise de dados, nosso objetivo é buscar uma quantidade maior de pessoas com mais rapidez – e, assim, ajudar mais famílias a continuarem conectadas.

Por exemplo, a Agência Central de Busca está aumentando sua capacidade de coletar e analisar grandes quantidades de dados de fontes múltiplas e dispersas para dar respostas às pessoas que procuram familiares desaparecidos.

Entre outros avanços, expandimos os meios para que as famílias acessem digitalmente e usem os serviços de restabelecimento de laços familiares, como o Trace the Face. A Agência Central de Busca também pretende automatizar alguns aspectos da busca, como a verificação da correspondência de nomes e a análise de padrões complexos de migração transregional.

Paralelamente, trabalhamos de perto com os Estados para evitar desaparecimentos, registrando pessoas vulneráveis e criando departamentos nacionais de informações. Fortalecer os sistemas médico-legais é outra prioridade, assim como desenvolver nossa capacidade de resposta a situações de emergência.

Também estamos criando uma nova entidade dentro da Agência Central de Busca, onde podemos convocar autoridades, familiares e profissionais para intercambiar práticas recomendadas e ideias, criar parcerias para soluções sustentáveis e desenvolver pesquisas. O foco será fornecer aconselhamento especializado e apoiar os Estados e a ampla comunidade de profissionais para melhor prevenir e responder. Mais do que nunca, esta questão requer uma compreensão e esforços coletivos.

"Estamos prestes a implementar uma inovação tecnológica que mudará a forma – e as possibilidades – de procurar pessoas desaparecidas."

Peter Maurer, presidente do CICV

Enquanto a tecnologia fornece novas maneiras de conectar famílias com entes queridos desaparecidos – e as parcerias multiplicarão o impacto disso –, a Agência Central de Busca garante que ninguém fique para trás. As atividades tradicionais, como coletar e entregar Mensagens Cruz Vermelha e visitar pessoas detidas, não deixaram de ser importantes.

A Agência Central de Busca, portanto, continua empenhada em manter um toque pessoal e humano sempre que possível, especialmente ao prestar os serviços de restabelecimento de laços familiares.

Em 2020 ...
Possibilitamos 1,1 milhão de contatos familiares por meio de telefonemas.
Entregamos 122.314 Mensagens Cruz Vermelha.
Reunimos 4.580 pessoas com suas famílias.

150 anos buscando pessoas

 

Primeira Guerra Mundial. Campo de prisioneiros de guerra em Heuberg. Controle da distribuição de suprimentos. Arquivos do CICV 


O CICV fundou sua primeira agência de busca em 1870, durante a Guerra Franco-Prussiana. A chamada Agência da Basileia serviu como um escritório de informação e ajuda para prisioneiros de guerra.

Durante a Primeira Guerra Mundial, a Agência Internacional de Prisioneiros de Guerra empregou milhares de pessoas – inclusive, pela primeira vez, mulheres – para gerir milhões de pedidos das famílias. Depois de 1918, a busca de pessoas tornou-se um serviço permanente, e a agência foi reconhecida juridicamente em 1929.

Na época da Segunda Guerra Mundial, era conhecida como Agência Central de Prisioneiros de Guerra e pôde processar 37 milhões de fichas usando computadores, rádio e outras tecnologias. Delineada nas Convenções de Genebra de 1949, a agência continuou trabalhando em casos relacionados com as guerras mundiais. Também realizou investigações e criou delegações para responder a novas crises na segunda metade do século 20.

Em 1960, passou a se chamar Agência Central de Busca. Desde então, a ACB constituiu os principais esforços globais do Movimento Internacional da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho para proteger os laços familiares, manter o contato entre familiares separados, procurar e identificar pessoas desaparecidas, proteger a dignidade dos mortos e garantir que as necessidades de suas famílias sejam atendidas.