Brasil: embora grave, problemática de desaparecidos continua pouco visível

29 agosto 2018
Brasil: embora grave, problemática de desaparecidos continua pouco visível

Familiares de pessoas desaparecidas exibem imagens dos seus entes queridos. Fotos: Reinaldo Canato/CICV

Brasília (CICV) – No Brasil, enquanto os principais desafios do país são colocados em pauta, o fenômeno do desaparecimento de pessoas continua recebendo pouca atenção pública, embora seja extremamente grave.

Neste 30 de agosto, Dia Internacional dos Desaparecidos, o Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) lembra que, no mundo, há centenas de milhares de pessoas que estão atualmente desaparecidas como consequência de diferentes circunstâncias críticas, como violência urbana, catástrofes ambientais, conflitos armados, migrações e outras crises humanitárias.

Segundo levantamento  realizado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) durante o ano de 2017, 82.684 casos de desaparecimentos foram reportados às polícias civis no Brasil. Somente em São Paulo, onde o CICV desenvolve atividades para responder à problemática, foram registrados 25,2 mil desaparecimentos.

"Vemos que no Brasil há iniciativas de políticas públicas para o problema das pessoas desaparecidas, mas ainda há um longo caminho a ser percorrido", considerou a chefe da delegação regional do CICV para Argentina, Brasil, Chile, Paraguai e Uruguai, Simone Casabianca-Aeschlimann. Entre os destaques recentes, estão a instalação do Sistema Nacional de Localização e Identificação de Desaparecidos (Sinalid) pelo Ministério Público, a tramitação no Senado de um projeto de lei para o estabelecimento de uma política nacional e um cadastro único de pessoas desaparecidas, além de um grupo de trabalho sobre o tema no âmbito da Secretaria de Segurança Pública do estado de São Paulo.

Para a coordenadora de Proteção da delegação regional do CICV, Marianne Pecassou, as necessidades das famílias de pessoas desaparecidas devem estar em primeiro plano na hora de enfrentar o problema. "Além do direito de saber a sorte e o paradeiro do seu ente querido, os familiares muitas vezes sofrem com problemas de saúde, com questões financeiras e administrativas e uma resposta integral é necessária", conclui. Pecassou lembra também que o problema é complexo e deve ter uma resposta multidimensional.

"O desaparecido nunca morre; ele permanece vivo enquanto tivermos vida", conta Marcelo Santa Cruz, irmão de pessoa desaparecida. Ele participou de um encontro organizado pelo CICV neste fim de semana, em comemoração ao Dia Internacional dos Desaparecidos, quando cerca de 50 familiares puderam compartilhar as suas experiências e fazer ouvir as suas vozes. Em uma mensagem coletiva, um grupo de familiares afirma que "o desaparecimento é uma realidade mais próxima do que você imagina". Segundo pesquisa do Instituto Datafolha, 17% dos brasileiros conhece alguém que está desaparecido.

O CICV, como organização humanitária neutra, independente e imparcial, desenvolve a sua ação humanitária em relação às pessoas desaparecidas e os seus familiares em várias partes do mundo, pois entende que todas as pessoas, sem distinção, têm o direito de saber a sorte e o paradeiro dos seus entes queridos e de ter uma resposta adequada às necessidades humanitárias resultantes do desaparecimento de um familiar.

Para mais informações:
Sandra Lefcovich, CICV Brasília, (61) 3106-2380/(61) 98175-1599, slefcovich@icrc.org
Diogo Alcântara, CICV Brasília, (61) 3106-2384/(61) 98248-7600, dalcantara@icrc.org

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