Camboja: apoio à inclusão social através do esporte

12 novembro 2015
Camboja: apoio à inclusão social através do esporte
Kuala Lumpur, Malásia, 19 de outubro de 2015. Lors Nimol e suas companheiras (de amarelo) jogam basquete contra uma equipe da Malásia.CC BY-NC-ND/ CICV

Em junho de 2012, foi criado o primeiro time de basquete feminino em cadeira de rodas apoiado pelo CICV em Battambang, no noroeste do Camboja. Desde então, a iniciativa exerce um profundo impacto na vida de muitas mulheres com deficiência.

Lors Nimol tinha 19 anos quando pisou em uma mina. Com deficiência, ela foi rejeitada pelos amigos e a comunidade. Mas enfrentou a nova realidade graças aos incentivos e à força que recebeu dos parentes mais próximos na época.

"Logo após pisar na mina, não percebi muito bem o que havia acontecido", recorda Nimol. "Mas, quando acordei no hospital, o médico me disse que havia perdido as pernas. Naquele momento, tudo o que eu sentia era desesperança."

Nimol é uma das cerca de 150 mil pessoas com deficiência do Camboja, muitas delas sofrendo as consequências dos conflitos que assolaram o país de 1969 a 1999.

Força e solidariedade no esporte

Nimol mudou de atitude graças a Sok Chan, capitã do time de basquete em cadeira de rodas que treina no Centro de Reabilitação Física de Battambang, apoiado pelo CICV. Sok Chan a convenceu não apenas a buscar assistência no centro, mas também a entrar na equipe.

E a jovem nunca mais olhou para trás.

No centro, Nimol encontrou força em pessoas como ela e aprendeu a voltar a ser independente. Hoje é uma integrante orgulhosa do time de basquete em cadeira de rodas e defende o direito das pessoas com deficiência.


Kuala Lumpur, Malásia, 19 de outubro de 2015. Sok Chan, capitã da equipe feminina em cadeira de rodas do Camboja, recebe uma pequena recordação de Yang Berhormat Dato' Sri Rohani Abdul Karim, ministra para Mulheres, Família e Desenvolvimento Comunitário da Malásia. / CC BY-NC-ND/ CICV

Nimol resumiu assim sua experiência:

Agora posso falar sobre meus problemas a outras pessoas que vivem com deficiência e ganhar força. Antes, muita gente via minha condição e pensava que eu não poderia fazer nada.

Embora no Camboja ainda prevaleçam atitudes negativas em relação a pessoas com deficiências, 40 mulheres atletas foram beneficiadas por programas de reabilitação apoiados pelo CICV nos centros de Battambang e Kampong Speu.

Em outubro, oito jogadoras dos dois centros foram selecionadas para disputar uma partida de exibição em Kuala Lumpur com atletas da Federação de Basquete em Cadeira de Rodas da Malásia.

Mais do que apenas um jogo

A partida – que mostrou as habilidades dos jogadores ao invés de focar em suas limitações – foi organizada conjuntamente pelo CICV e a Secretaria Nacional da Asean (Associação de Nações do Sudeste Asiático) - Malásia em coordenação com o Fórum da ASEAN sobre Deficiências 2015. O evento contou com a presença de representantes do governo, agências e várias organizações de pessoas com deficiência. Todos torceram durante o jogo.

O chefe da delegação do CICV em Kuala Lumpur, Jeremy England, expressou gratidão pelo apoio recebido da Secretaria Nacional da ASEAN. "Estamos especialmente gratos por essa colaboração, em particular pela visão da ASEAN de uma comunidade orientada e centrada nas pessoas, e onde todos os cidadãos, partes interessadas e setores da sociedade podem contribuir e usufruir dos benefícios de uma comunidade mais integrada e conectada."

O evento também deu ao CICV a oportunidade de destacar a importância da inclusão social para todos.


CC BY-NC-ND/ CICV

"O objetivo global vai além das habilidades do basquete", diz o chefe da missão do CICV no Camboja, Bart Vermeiren. "Queremos que essas mulheres ganhem autoconfiança apesar dos desafios que enfrentam. Elas precisam acreditar no que fazem, no que podem produzir; e essa confiança as ajudará a se integrar melhor na sociedade."

Para a equipe do Camboja, o jogo de exibição na Malásia foi o primeiro passo rumo a outros torneios internacionais. Todas as oito jogadoras expressaram sua satisfação por visitar o país pela primeira vez e aguardam ansiosas por experiências semelhantes no futuro. Esperam participar dos VIII ParaJogos da ASEAN de Cingapura em dezembro.

"A equipe treinou muito e aprendeu novas habilidades que agora deseja testar na região e talvez em outros lugares", diz coordenador do programa de reabilitação do CICV, Philip Morgan. "Queremos que sejam um modelo seguir e defensoras dos esportes para pessoas com deficiência – e que as próximas campeãs sejam do Camboja!"


Battambang, Camboja, 16 de junho de 2015. Especialista avalia um paciente no Centro de Reabilitação Física de Battambang. / CC BY-NC-ND/ CICV

Liderança em reabilitação física

No mundo todo, os programas de reabilitação física do CICV oferecem apoio a 163 centros em 48 países. Centenas de milhares de pessoas têm recebido fisioterapia, próteses, órteses, cadeiras de rodas e andadores, entre outros benefícios.


Battambang, Camboja, 16 de junho de 2015. Técnicos usam polipropileno para fabricar componentes de próteses e órteses./ CC BY-NC-ND/ CICV

No Camboja, o CICV trabalha em estreita parceria com o Ministério de Assuntos Sociais, Veteranos e Reabilitação de Jovens no apoio aos centros de reabilitação de Battambang e Kampong Speu e à fábrica de componentes ortopédicos de Phnom Penh. A fábrica produz cerca de 13 mil componentes para próteses e órteses, além de 4,3 mil pares de andadores que são fornecidos a 11 centros de reabilitação física do país.

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