Dia Internacional da Mulher: Os desafios de trabalhar em setores majoritariamente masculinos, como segurança

Dia Internacional da Mulher: Os desafios de trabalhar em setores majoritariamente masculinos, como segurança

Declaração 08 março 2022 Brasil

Mulheres de todo o mundo têm ocupado cada vez mais os espaços profissionais que antes eram vistos, exclusivamente, como masculinos e tem mostrado o quão capazes são. E esse movimento incentiva novas profissionais a seguir seus sonhos, independente da área desejada.

Neste Dia Internacional da Mulher, destacamos a trajetória da chefe do programa com Forças Policiais e de Segurança, a socióloga Virgínia Canedo, que trabalha há mais de 20 anos com as forças policiais no CICV. Antes de chegar ao comitê ela trabalhou no Ministério da Justiça e Segurança Pública, desenvolvendo estudos sobre condições das polícias, delegacias de atendimento à mulheres e índices de criminalidade.

Até conseguir alcançar sua atual posição, Virgínia precisou aprender a lidar com situações diversas no ambiente de trabalho, mas os obstáculos não impediram seu crescimento. E sua história pode vir a inspirar mais mulheres que como ela tem interesse na área de segurança, ou até mesmo em outros setores.

O que faz no seu cargo no CICV?

Sou a responsável por um programa que trabalha com forças policiais, com as polícias do Brasil, Chile e Paraguai. Nós buscamos apresentar para as polícias uma forma de traduzir as normas internacionais de direitos humanos na prática diária, no cotidiano da polícia. Através de capacitações, de elaboração de protocolos e também buscamos apresentar-lhes situações onde houveram violações de direitos humanos e de que forma que a gente pode trabalhar com eles para que essas situações não aconteçam novamente. Buscamos melhorar o serviço da polícia em prol da população.

As forças policiais fazem parte de um ambiente predominantemente masculino. Você encontrou algum desafio?

Por ser um ambiente majoritariamente masculino, o que eu senti, principalmente, no começo do trabalho, quando eu era mais jovem e estava iniciando no Comitê Internacional da Cruz Vermelha, trabalhar mais de perto com esse público, foram algumas caras de desconfiança. De como, o que eu poderia contribuir com essas instituições, com esses policiais. Mesmo porque eu não era, eu nunca fui policial, eu sou socióloga e isso fazia também com que gerasse uma certa desconfiança, mas a partir de um momento em que eu consegui criar uma relação de confiança e uma relação de respeito, facilitou bastante o meu trabalho.

Atualmente há mais representação feminina nas forças de segurança?

Hoje eu vejo que muitas mulheres começaram a assumir funções de comando nas instituições. Ainda não chegaram a ser comandantes gerais ou diretoras gerais de de de instituições de polícia, mas eu observo sim o maior número de mulheres em funções-chave dentro da instituição. Eu desejo que um dia a gente consiga ver mais mulheres em postos mais elevados.

Você acha que falta estímulo para que mais mulheres trabalhem nessa área?

Talvez falte um pouco de estímulo. Apesar de que no CICV nesses últimos anos aumentou muito o número de mulheres que vieram trabalhar em funções parecidas com a minha. Várias mulheres, ex-policiais que assumiram as funções de delegados para forças policiais de segurança. Assim como também para as Forças Armadas. Então se observa já uma mudança e um recebimento de mais mulheres nessas funções.

Qual mensagem você deixaria para outras mulheres?

Faça a diferença, mostre seu potencial. Não se sinta inferior porque você é mulher, você tem a mesma capacidade que qualquer um, e, sobretudo, respeite-se para que os outros também te respeitem.

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