Brasil: Encontro da Rede Acesso Mais Seguro discute aprimoramentos no programa

Brasil: Encontro da Rede Acesso Mais Seguro discute aprimoramentos no programa

AMS visa promover ambientes seguros e fortalecer a resiliência dos profissionais de serviços públicos em áreas afetadas por violência armada
Artigo 08 dezembro 2022 Brasil

Integrantes de órgãos públicos e especialistas participaram nesta semana do Encontro de Rede do Acesso Mais Seguro para Serviços Públicos Essenciais (AMS) 2022, realizado pela Delegação Regional do Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) para Brasil, Argentina, Chile, Paraguai e Uruguai. Mais de 80 pessoas discutiram boas práticas para o fortalecimento da rede integrada por órgãos estaduais, municipais e outras instituições de sete cidades brasileiras.

Mais de 80 pessoas participaram do evento.
Edgar Marra/CICV

O chefe de operações da Delegação Regional do CICV, Laurent Reza Wildhaber, classificou como crucial o trabalho feito em parceria com os municípios e considerou o encontro como um momento de criar novos mecanismos para concretizar o programa. "Buscamos fomentar debates para fortalecer o trabalho de vocês a fim de promover a metodologia AMS, tanto para manter abertos os serviços públicos essenciais como para dar um espaço seguro para os profissionais trabalharem", afirmou.

O AMS visa promover ambientes seguros e fortalecer a resiliência dos profissionais de serviços públicos em áreas afetadas por violência armada. No Brasil, o programa foi adotado em sete cidades, envolvendo mais de mil escolas e mais de 500 unidades de saúde.

Para a subsecretária de Saúde de Duque de Caxias, Flavia Alves da Costa, o encontro de rede é um importante momento de trocas. "A gente vê a evolução da implementação do programa e também percebe que nossos problemas são similares. A gente acha que está isolado no nosso município com nossos problemas e vem pra cá e consegue compartilhar essas experiências com outros colegas e pode buscar soluções", afirmou.

A coordenadora do programa AMS no CICV, Karen Cerqueira, lembrou que a pandemia levou à necessidade de adaptação do programa para entender o novo contexto, as novas perspectivas e dificuldades e aprender com isso. "Os desafios enfrentados em 2022 vão nortear como podemos juntos identificar respostas sustentáveis para que o AMS possa cada vez mais cumprir sua missão, que é fortalecer os serviços essenciais frente às consequências humanitárias da violência amada", afirmou.

Mesa Diretora do Encontro AMS

Laurent Reza Wildhaber e Karen Cerqueira.
Edgar Marra/CICV

Com a implementação do curso online de Comportamentos Mais Seguros em janeiro, mais de 7 mil profissionais foram treinados no Brasil. Desde o início da implementação do AMS, mais de 42 mil pessoas foram capacitadas e a expectativa é de aumentar esse patamar.

Entre janeiro e setembro de 2022, 7.130 profissionais de Saúde, Educação e Assistência Social foram treinados pelo programa nas cidades de Duque de Caxias (RJ), Fortaleza (CE), Florianópolis (SC), Porto Alegre (RS), Rio de Janeiro (RJ), São Paulo (SP) e Vila Velha (ES).

Implementação do AMS
A chefe do programa com Forças Policiais e de Segurança do CICV, Virginia Canedo, ressaltou a importância de trabalhar com as forças de segurança para sensibilizar sobre o impacto do trabalho desses profissionais em escolas, postos de saúde e nas áreas de assistência social. "Promovemos a integração do direito com a incorporação de normas internacionais de direitos humanos e do uso da força nos documentos institucionais", afirmou, destacando ainda que é chave uniformizar procedimentos para evitar ações isoladas e improvisadas.

Um dos pontos discutidos foi a medição das consequências humanitárias da violência armada no acesso aos serviços públicos essenciais. A assessora do AMS no escritório do CICV em Fortaleza, Regislany Moraes apontou a necessidade do monitoramento de dados para construção de políticas públicas baseadas em evidências. "É importante conhecer indicadores de políticas públicas no município de atuação, os indicadores AMS, implementar sistemas de informação, como a plataforma AMS e fortalecer a análise de dados", afirmou.

Workshop Platafoma Digital AMS
O encontro de rede contou também com o primeiro Workshop da Plataforma Digital Acesso Mais Seguro, com profissionais de Tecnologia da Informação. "Essa é uma ferramenta elaborada junto aos nossos parceiros para facilitar a comunicação e a implementação da metodologia AMS", explicou a assessora do programa no CICV, Flávia Caetano.

Os participantes do evento puderam contribuir para a elaboração da plataforma digital.
Edgar Marra/CICV


O especialista do CICV Charles Lasiozi falou sobre o suporte global do AMS. "Nossos objetivos são simplificar ao máximo a implementação, o suporte e a manutenção e tornar os nossos parceiros o mais independentes possível", afirmou. As melhorias discutidas incluem a criação de um modelo open-source e de ferramentas que permitam aos usuarios apontar problemas e aos desenvolvedores solucionar essas questões.