Especial "Um Mundo de Muros", da Folha de S.Paulo, vence prêmio de jornalismo humanitário

26 outubro 2017
Especial "Um Mundo de Muros", da Folha de S.Paulo, vence prêmio de jornalismo humanitário
Representantes da equipe vencedora do Prêmio CICV de Cobertura Humanitária Internacional. Da esquerda para a direita: Luciana Coelho (Folha), Patricia Campos Mello (Folha), Lalo de Almeida (Folha) e Lorenzo Caraffi (CICV). Foto: Reinaldo Canato/CICV

Série de reportagens era finalista do Prêmio CICV de Cobertura Humanitária Internacional. Documentário sobre Ruanda exibido pela GloboNews ficou em segundo lugar e reportagem sobre refugiados da revista Época, em terceiro

O especial multimídia Um Mundo de Muros, publicada pela Folha de S.Paulo, ficou em primeiro lugar na primeira edição do Prêmio CICV de Cobertura Humanitária Internacional, iniciativa do Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) para fomentar uma cobertura mais humana no noticiário internacional. Com textos, videos e infografias, a série apresentou raízes históricas, sociopolíticas e econômicas de muros e barreiras em contextos variados.

"O primeiro colocado ficou nesta posição pela pluralidade de perspectivas em torno de um problema humanitário global muito contemporâneo", explicou o chefe da delegação do CICV para Argentina, Brasil, Chile, Paraguai e Uruguai, Lorenzo Caraffi, ao anunciar o vencedor em ceremônia no Memorial da América Latina, nesta quarta-feira 25 de outubro à noite. "A equipe soube envolver o leitor com diversos recursos técnicos utilizados de maneira primorosa, mas sem perder de vista o foco principal: as pessoas afetadas pelo drama humanitário criado pelas barreiras, pelos muros", acrescentou.

"Acho que é o prêmio mais importante que a gente poderia ter ganho porque reconhece especificamente o que estamos tentando fazer, que é mostrar as pessoas por trás dos conflitos", explica a repórter Patricia Campos Mello, uma das integrantes da equipe de 21 pessoas inscritas no prêmio. "É importante que instituições tão críveis joguem luz no nosso trabalho", complementou a editora de Mundo da Folha de S.Paulo, Luciana Coelho.

O documentário Filhos de Ruanda, exibido pelo canal de notícias a cabo GloboNews, obteve o segundo lugar, e a reportagem especial Vidas Intermitentes no Deserto, publicada pela revista Época, ficou em terceiro lugar na premiação.

Roda de conversa aberta ao público com os finalistas do Prêmio CICV de Cobertura Humanitária Internacional. Da esquerda para a direita: Patricia Campos Mello (Folha), Renata Baldi (GloboNews), Luciana Coelho (Folha), Lalo de Almeida (Folha), Guilherme Evelin (Época) e Aldo Quiroga (mediador). Foto: Reinaldo Canato/CICV

Durante a cerimônia de premiação, os finalistas compartilharam suas experiências com o público em uma roda de conversa mediada pelo jornalista Aldo Quiroga. Sobre o documentário Filhos de Ruanda, a editora Renata Baldi afirmou que "o genocídio é uma página que os ruandeses querem virar". Já o editor executivo da revista Época, Guilherme Evelin, que editou a reportagem de Teresa Perosa, explicou as motivações por trás do material sobre o campo de refugiados de Zaatari, na Jordânia. "Sempre achamos interessante contar como é a vida num campo de refugiados", conta. "A repórter soube, com sensibilidade e olhar, quem melhor seria para contar essa história."

Nesta primeira edição, foram inscritos mais de 50 trabalhos de meios de comunicação multimídia, impressos ou de radiodifusão. O corpo de jurados foi composto pela coordenadora de relações com a imprensa de Médicos Sem Fronteiras (MSF), Claudia Antunes, a jornalista da agência Associated Press, Cristiana Mesquita, com ampla experiência em cobertura de conflitos armados, a coordenadora de comunicação do CICV, Sandra Lefcovich, e a professora e pesquisadora Zélia Leal Adghirni, que antes da academia atuou como correspondente internacional.

Segundo Lorenzo Caraffi, o CICV fará uma segunda edição do prêmio. "No ano que vem faremos uma nova edição deste prêmio. Este aqui é um pontapé inicial de uma iniciativa que quer fomentar ainda mais a cobertura dos termas humanitários", concluiu.