Especialistas ibero-americanos trocam experiências em Ciências Forenses

09 novembro 2015
Especialistas ibero-americanos trocam experiências em Ciências Forenses
Durante o VIII Encontro da Rede Ibero-Americana de Instituições de Medicina Legal e Ciências Forenses, foram compartilhados conhecimentos sobre experiências e avanços da área científica e tecnológica. Olga Lucía Barragán / CICV

O Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) participou do VIII Encontro da Rede Ibero-Americana de Instituições de Medicina Legal e Ciências Forenses e do Congresso Internacional de Medicina Legal e Ciência Forense, entre os dias 4 e 7 de novembro, em Montevidéu, no Uruguai.

Os encontros tiveram como objetivo compartilhar conhecimentos sobre experiências e avanços da área científica e tecnológica, além de promover a cooperação regional.

"Garantir a dignidade dos mortos e mitigar o sofrimento das famílias dos desaparecidos são prioridades para o CICV", afirma o chefe da Delegação Regional do CICV para Argentina, Brasil, Chile, Paraguai e Uruguai, Lorenzo Caraffi, quem inaugurou ambos os encontros.

Segundo Caraffi, as décadas de experiência do CICV em conflitos armados e outras situações de violência ao redor do mundo demonstram que muitas vezes as feridas emocionais são tão ou mais graves que as físicas, e o desaparecimento de uma pessoa deixa marcas profundas em seus entes queridos. E as ciências forenses vêm justamente mitigar esse impacto na vida dos familiares dos desaparecidos.

Entre os temas que foram abordados ao longo dos eventos estão experiências e técnicas de busca e identificação de pessoas desaparecidas, modelos latino-americanos de medicina legal, ciência forense e Direito Internacional Humanitário (DIH) e debates sobre as responsabilidades de funcionários da Saúde e de instituições assistenciais.

A assessora forense regional do CICV, Olga Lucía Barragán, explica que quando as pessoas morrem durante um conflito, um desastre ou uma migração, os seus corpos devem ser tratados com respeito e dignidade. "Os corpos de pessoas falecidas devem ser encontrados, recuperados e identificados. A ação humanitária inclui essas tarefas e a ciência forense oferece as ferramentas e as competências necessárias para realizá-las", disse.

Cooperação e coordenação em temas forenses

Fundada em 2007 e com instituições de 19 países, a Rede Ibero-Americana de Instituições de Medicina Legal e Ciências Forenses é uma comunidade técnica, científica e acadêmica para cooperação, coordenação e apoio recíproco entre instituições públicas de medicina legal e ciências forenses dos países ibero-americanos e organizações relacionadas.

Desde sua criação, a rede conta com o apoio do CICV, que trabalha em diferentes países da região de forma independente, oferecendo assessoria técnica aos Estados para que estes estabeleçam estruturas que atendam aos padrões internacionais comuns aos processos de identificação a aos imperativos de assegurar os direitos das famílias, a dignidade da pessoa falecida e a gestão apropriada dos corpos. Paralelamente, trabalha junto às famílias das pessoas desaparecidas prestando apoio psicossocial.