Reportagem “RefugiadAs” vence Prêmio CICV de Cobertura Humanitária Internacional

07 novembro 2018
Reportagem “RefugiadAs” vence Prêmio CICV de Cobertura Humanitária Internacional
Finalistas do Prêmio CICV de Cobertura Humanitária Internacional em roda de conversa. Foto: Reinaldo Canato/CICV.

A reportagem da TV Brasil é a vencedora da segunda edição do Prêmio de Cobertura Humanitária do CICV. O anúncio foi feito na noite desta terça-feira (6 de novembro), em cerimônia no Memorial da América Latina, em São Paulo.

O especial "RefugiadAs", exibida no programa Caminhos da Reportagem, da TV Brasil, venceu a segunda edição do Prêmio CICV de Cobertura Humanitária Internacional, promovido pelo Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV).

Contar a história de vida de mulheres que fugiram de seu país em busca de um novo lar. Dar visibilidade às pessoas que estão sofrendo e que se encontram em situação de vulnerabilidade. Mostrar "a vulnerabilidade dentro da vulnerabilidade", como disse a repórter Leilane Menezes, do portal Metrópoles, que também tratou do tema das mulheres migrantes e ficou em terceiro lugar.

Em uma roda de conversa mediada pelo jornalista Aldo Quiroga, as equipes dos três trabalhos finalistas compartilharam com o público seus percalços e acertos na produção das reportagens. Distância, custo e logística foram alguns dos pontos identificados como dificuldades para a reportagem.


O que para os jornalistas é mais difícil, no entanto, mais do que sensibilizar as direções dos meios, é produzir essas reportagens. As equipes destacaram que, além dos altos custos, é contar esse tipo de história requer um grande investimento na procura de fontes e também muito cuidado no momento de entrevistá-las.

Finalistas do Prêmio CICV de Cobertura Humanitária Internacional em roda de conversa

Foto: Reinaldo Canato/CICV.


Força para enfrentar dificuldades


Aline Beckstein, jornalista da TV Brasil, que representou a equipe vencedora ao lado do colega de emissora João Marcos Barboza, afirma que sua motivação está em saber mais sobre o outro, de onde ele veio e do que foge. No caso das mulheres é entender de onde vem a "força" para enfrentar um novo país, com todas as barreiras físicas e de idioma. "Que força é essa que motiva essas mulheres? A despeito e apesar de tudo o que elas viveram no país de origem, tentarem uma nova vida aqui, com dignidade, com força e acima de tudo com muita coragem", observa a jornalista.


"Ao dar voz a mulheres refugiadas de diferentes culturas, o trabalho da TV Brasil mostrou o que realmente nos une – nossa humanidade. Sem deixar de falar das enormes dificuldades, as pessoas retratadas mostram que com esperança e determinação estão dispostas a recriar suas vidas no novo país", pondera a jornalista Cristiana Mesquita, da Associated Press, uma das juradas do prêmio, além de Paulo Braga, do Médicos sem Fronteiras (MSF), e Sandra Lefcovich, do CICV.


A chefe de Delegação Regional do CICV para a Argentina, Brasil, Chile, Paraguai e Uruguai, Simone Casabianca-Aeschlimann, reforçou a importância de que o produto final seja humanizado, evidenciando aqueles que precisam de apoio e proteção.


"O noticiário de temas geopolíticos ou militares de um conflito armado é importante para a compreensão dos acontecimentos", aponta a chefe de delegação, mas ressalta que a imprensa pode ir além. "É importante dar rosto a essas histórias."


"Não importa a distância geográfica ou cultural, uma cobertura humanitária resultará essencialmente em gente tendo acesso a histórias de gente. É isso que vai conectar o brasileiro à história de um rohingya ou de um somali", destacou Casabianca-Aeschlimann.


A representante da Fundação Memorial da América Latina Maristela Debenest destacou a temática de migração, tão presente nas reportagens inscritas nesta edição do prêmio. "Desde já e sempre os deslocados de sua terra tem lugar neste espaço", afirmou, fazendo rerência ao Memorial da América Latina, importante ícone cultural do país, que sediou a entrega do prêmio.


A edição deste ano recebeu cerca de 50 inscrições de reportagens de todo o Brasil. Dentre os finalistas, em segundo lugar ficou a reportagem "A vida de refugiado dos rohingyas, um povo muçulmano", produzido pela equipe da Globo News e em terceira colocação a reportagem "Órfãs de Terra-Mãe", do portal Metrópoles.


O primeiro colocado do Prêmio CICV de Cobertura Humanitária Internacional receberá uma viagem para cobrir um país onde o Comitê Internacional da Cruz Vermelha é operacional. Para o segundo lugar, o prêmio em dinheiro é de R$ 5 mil e para o terceiro, de R$ 4 mil.