Segundo pesquisa, 73% dos millennials em 15 países consideram a saúde mental tão importante quanto água, comida e abrigo

07 outubro 2019
Segundo pesquisa, 73% dos millennials em 15 países consideram a saúde mental tão importante quanto água, comida e abrigo
Uma casa de escuta em Kako, Território de Rutshuru, no Kivu do Norte. Uma funcionária do CICV capacita trabalhadores psicossociais responsáveis por fazer com que a comunidade tenha maior conhecimento sobre os problemas da violência. Elodie Schindler / CICV

Genebra (CICV) – Quase três entre quatro millennials – 73% – entrevistados em 15 países disseram que as necessidades de saúde mental são tão importantes quanto a água, a comida e o abrigo para as vítimas de guerras e conflitos armados.

Os dados, que foram obtidos de uma pesquisa realizada pela Ipsos, encomendada pelo Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) e da qual participaram mais de 15 mil pessoas entre 20 e 35 anos, revela a crescente conscientização sobre a importância da saúde mental em situações de conflito.

Dos 15 países pesquisados, o maior apoio à saúde mental entre os millennials veio da Síria, onde 87% dos cerca de 1 mil entrevistados considera que as necessidades de saúde mental são tão importantes quanto água, comida e abrigo para as vítimas dos conflitos armados. Os seguintes países com o maior apoio foram Indonésia (82%), Ucrânia (81%) e Suíça (80%).

"Os serviços de saúde mental foram, durante muito tempo, postergados nos âmbitos de conflito. Quando os traumas são invisíveis, eles são facilmente esquecidos e não constituem uma prioridade. Mas a guerra tem um impacto devastador na saúde mental e no bem-estar psicossocial de milhares de pessoas. Podem aparecer novos problemas de saúde mental e ressurgir condições pré-existentes. Para algumas pessoas, os efeitos podem ser fatais", disse o presidente do CICV, Peter Maurer.

Mais de uma em cada cinco pessoas que se encontram em áreas afetadas por conflitos vive com alguma condição de saúde mental, de depressão leve e ansiedade a transtorno de estresse pós-traumático. Uma incidência três vezes maior do que a população geral de todo o mundo que sofre dessas condições. A saúde mental e as necessidades psicossociais das pessoas encurraladas em conflitos devem fazer parte da crescente atenção dada à saúde mental em todo o mundo.

"Oferecer apoio a pessoas com problemas de saúde mental pode salvar vidas em tempos de guerra e violência, tanto quanto ajudam conter uma ferida sangrando ou oferecer água limpa. As feridas ocultas não são menos perigosas", disse Peter Maurer.

Esta semana, coincidindo com o Dia Mundial da Saúde Mental, o CICV apela a todos os estados a priorizarem a saúde mental e o apoio psicossocial em situações de violência e conflitos armados, como uma questão crítica para a primeira série da assistência humanitária e como um componente integral em sistemas de resposta de emergência nacionais e internacionais.

Para entrevistas com a mídia e obter mais informações:
Anita Dullard, +41 79 574 1554, adullard@icrc.org.