Mostra sobre “Assistência à Saúde em Perigo” provoca reflexão em público de SP

09 junho 2015
Mostra sobre “Assistência à Saúde em Perigo” provoca reflexão em público de SP
A mostra exibe mais de 70 fotos realizadas em hospitais ameaçados e nas linhas de combate entre 2010 e 2013. Itaci Batista/CICV

Embora retrate uma realidade distante do público brasileiro, a exposição fotográfica "Assistência à Saúde em Perigo: Líbia e Somália no olhar de André Liohn" conseguiu provocar a reflexão dos visitantes de São Paulo, onde a mostra está montada até 5 de julho na Biblioteca Parque Villa-Lobos. E é justamente essa empatia com o tema que o fotógrafo André Liohn diz buscar com seu trabalho.

"Eu acho que iniciativas como esta dão ao público uma oportunidade de entender que eles podem, sim, desde aqui, influenciar quem atua lá", afirma Liohn. "Assim os visitantes conhecem o trabalho, as possibilidades, os desafios, as responsabilidades de políticos, de organizações humanitárias, de grupos armados... Eles entendem que existem regras a serem seguidas e que existem atores que estão lá para aferir que estas sejam seguidas", completa.

O fotojornalista João de França, que acompanhou uma das visitas guiadas de Liohn na Biblioteca Parque Villa-Lobos, em São Paulo, considera o resultado da mostra reflexivo. "É um trabalho muito bem produzido de alguém que viu de perto", afirma. "Em São Paulo, vi poucos trabalhos como esse que o André Liohn fez. "

Para os estudantes Henrique Cordeiro e Lívia Takassiki, o recorte humano feito pelo fotógrafo na Líbia e na Somália apresentou uma perspectiva diferente das que eles tinham de situações de conflito armado. "A gente não vê o trabalho de assistência das organizações e o que acontece depois", conta Lívia. "Aqui vemos o lado das outras pessoas, que estão ajudando no campo de batalha", completa Henrique.

Em mais de 70 fotos realizadas em hospitais ameaçados e nas linhas de combate entre 2010 e 2013, Liohn retrata a dura realidade de dois países nos quais o Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) atua e mostra a urgência de adotar medidas para que a violência contra pacientes, estabelecimentos, veículos e profissionais de saúde em conflitos armados e emergências acabe.

Diante dessa permanente e inaceitável realidade, o CICV lançou o projeto chamado Assistência à Saúde em Perigo. O objetivo desta mobilização mundial é reforçar a determinação dos Estados, das instituições e da opinião pública sobre a necessidade de proteger o acesso à saúde.

"Dessa forma, queremos garantir a prestação imparcial e eficaz dos serviços médicos em situações de conflito armado e também em outras emergências", disse o chefe da Delegação do CICV para Argentina, Brasil, Chile, Paraguai e Uruguai, Lorenzo Caraffi, na abertura da mostra, em 28 de maio. "Trata-se de que os feridos e os doentes tenham acesso adequado aos serviços de saúde. Trata-se também de ter certeza de que os estabelecimentos e os profissionais de saúde não sejam atacados sob nenhuma circunstância", complementou.

"Uma mostra fotográfica como esta, portanto, nos coloca em contato com a realidade de outros povos; nos estimula a um pensamento global sobre política, sobre humanidade e sobre solidariedade, a partir da leitura e da interpretação das imagens", acrescentou o secretário da Cultura do Estado de São Paulo, Marcelo Mattos Araujo.

A exposição "Assistência à Saúde em Perigo: Líbia e Somália no olhar de André Liohn" está montada na Biblioteca do Parque Villa-Lobos em São Paulo até o dia 5 de julho. A entrada é gratuita, de terça a domingo, das 10h às 19h.

Além da mostra, haverá um debate sobre "As consequências humanitárias da falta de respeito e de proteção dos serviços de saúde", no dia 24 de junho, às 16 horas, e uma mesa-redonda sobre os 'Desafios da cobertura jornalística em conflitos armados e emergências' no dia 25 de junho, às 16 horas.

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