Posicionamento do CICV sobre o uso de armas explosivas em áreas povoadas
O Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) adota um posicionamento público claro e consistente perante todos os Estados sobre o uso de armas explosivas em áreas povoadas e o respeito às Normas da Guerra.
As armas explosivas de amplo impacto têm um grande potencial de provocar um efeito indiscriminado quando acionadas em áreas povoadas. Além matar e mutilar civis, o uso de armas explosivas nessas regiões pode interromper ou destruir serviços essenciais à sobrevivência da população, como estabelecimentos de saúde, redes de energia elétrica, abastecimento de água e saneamento. Sem esses serviços, a vida civil se torna muito mais difícil ou impossível, obrigando as pessoas a se mudarem para outro local que ofereça essa infraestrutura vital. Por esse motivo, desde 2011, o CICV vem fazendo um apelo para que se evite o uso de armas explosivas pesadas em áreas povoadas como uma questão de política humanitária. Uma política de mitigação de danos implica que esse tipo de armamento não deve ser utilizado em regiões habitadas, a menos que sejam tomadas medidas suficientes para reduzir a área de impacto e o risco para a população civil.
Impacto indiscriminado
As armas explosivas de amplo impacto podem gerar um efeito indiscriminado quando usadas em áreas povoadas se tiverem um grande raio de destruição, espalharem fragmentos por uma área extensa ou se forem imprecisas ao ponto de atingir uma área maior do que o alvo pretendido. Essas armas — que podem incluir bombas, mísseis, morteiros, foguetes, além de dispositivos explosivos improvisados — constituem uma das principais causas de danos a civis.
Devido ao alto risco de que esses artefatos explosivos produzam efeitos que vão muito além dos objetivos militares pretendidos, pode ser inviável usá-los em áreas povoadas nos termos do Direito Internacional Humanitário (DIH). Inclui o dever das partes em conflito de fazer a distinção entre objetivos militares e civis ou bens civis, e de evitar ou minimizar os danos à população civil. Reiteramos esse posicionamento público há mais de uma década.
Mais de 90 Estados já endossaram a Declaração Política sobre Armas Explosivas em Áreas Povoadas, datada de 2022. Além disso, assumiram o compromisso de garantir que suas forças armadas adotem medidas para evitar danos a civis, incluindo restringir ou evitar o uso de armas explosivas em áreas povoadas sempre que seu uso tiver o potencial de causar danos à população civil ou aos bens civis. Instamos os Estados que ainda não o fizeram a também endossarem a declaração.
Declarações públicas do CICV sobre a temática
- O Direito Internacional Humanitário e os desafios dos conflitos armados contemporâneos (2011) (disponível em inglês)
- Armas explosivas pesadas em áreas povoadas: é necessária uma urgente mudança de mentalidade
- Líderes da ONU e do CICV pedem maior apoio global para proteger civis de armas explosivas em áreas povoadas
- Presidente do CICV: "Testemunhamos um fracasso global e coletivo na proteção das pessoas civis em conflitos armados"
- Presidente do CICV: o uso de armas explosivas em áreas povoadas requer uma resposta coletiva (2025) (disponível em inglês)
Apoio internacional
A Declaração Política sobre o Fortalecimento da Proteção de Civis contra as Consequências Humanitárias do Uso de Armas Explosivas em Áreas Povoadas foi endossada por 91 países desde julho de 2026. (disponível em inglês)