Guatemala: recuperar o que foi perdido depois da tempestade

08-07-2010 Reportagem

A tempestade tropical Agatha, que atingiu a Guatemala no final de maio e causou inundações e deslizamentos de terra depois de 36 horas de chuva contínua, deixou um saldo de mais 300 mil vítimas, segundo os dados oficiais da Coordenação Nacional para a Redução de Desastres (Conred).

     
©CICV/Ana Catalina Godoy 
   
Projeto "Infância com futuro". Albergue evacuado após desmoronamento do morro localizado atrás do edifício 
               
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Refeitório solidário El Edén. Atendimento às famílias albergadas e prestação de serviços de RLF, principalmente com ligações telefônicas. 
               
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Escola Los Cerritos. Atendimento a uma família com crianças pequenas 
               
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Escola Los Cerritos. Uma das salas de aula que teve o teto desmoronado após as fortes chuvas. 
               
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Escola Los Cerritos. Reunião com as pessoas albergadas para informar os serviços de RLF oferecidos. 
               
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Escola Los Cerritos. Uma das salas de aula que teve o teto desmoronado após as fortes chuvas. 
           

Assim que terminou sua missão no Haiti, Alejandro Vergara, da equipe de Restabelecimento de Laços Familiares (RLF) da Cruz Vermelha Mexicana, foi enviado em junho à Guatemala com o apoio do Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV). O objetivo de sua missão foi coordenar, com a Cruz Vermelha Guatemalteca, os esforços para restabelecer os contatos entre as pessoas separadas em decorrência da tempestade tropical Agatha, e, para isso, Alejandro reuniu rapidamente uma equipe de RLF formada por quatro voluntários da Cruz Vermelha Guatemalteca.

Dias depois da tormenta, milhares de pessoas continuavam em albergues, pois suas moradias haviam sido destruídas. Algumas foram evacuadas tão rápido que não tiveram tempo de avisar a suas famílias, enquanto outras foram separadas por rios ou deslizamentos.

As atividades de RLF se concentraram no departamento da cidade da Guatemala e no de Mazatenango, ao sul do país, duas áreas fortemente afetadas pela tormenta.

" Há dias não conseguia falar com minha mãe, não podia lhe avisar que haviam me tirado de casa, nem aonde haviam me levado. Agora pude lhe dizer que estamos bem " , contou uma beneficiária.

Em uma de suas últimas missões, a equipe de RLF se dirigiu à aldeia de El Cerrito, no município de Amatitlan, um dos mais afetados, tanto pelas cinzas do vulcão Pacaya como pela tempestade tropical Agatha. Na comunidade, a situação era delicada.As casas à beira do lago de Amatitlan foram atingidas pela água e a queda de uma grande quantidade de pequenas pedras vulcânicas fez com os telhados cedessem e muitas famílias perdessem suas moradias por completo.

Em princípio, o s habitantes de El Cerrito foram transportados às instalações do projeto “Infância com Futuro” (uma ONG criada para favorecer o desenvolvimento físico e intelectual de crianças carentes). Mas, depois de mais de 50 famílias terem sido alojadas, o morro localizado atrás do edifício desmoronou, causando uma nova emergência. As pessoas foram transportadas novamente, desta vez para o restaurante solidário de El Edén, a um quilômetro do lugar, e para a escola El Cerrito, a 300 metros.

Nos albergues se encontravam, principalmente, mulheres e crianças, pois os homens haviam retornado a sua rotina e saíam para trabalhar todos os dias. Ao serem entrevistadas, as mulheres indicavam que, apesar de não terem perdido nenhum ente querido, os prejuízos materiais eram lamentáveis e elas temiam por seu futuro.

Na escola El Cerrito, 22 famílias foram acomodadas. Uma das salas de aula havia sido destruída pela queda do teto e se encheu de areia vulcânica. Era possível ver algumas mesas, material escolar e os trabalhos das crianças dentro da sala. Nesse albergue, uma voluntária da Cruz Vermelha Guatemalteca ofereceu serviços psicossociais a uma família com crianças de 1 e 7 anos, nas quais foi detectado um certo nível de trauma causado pelos acontecimentos que vivenciaram. Elas receberam material artístico como meio de expressão para aliviar o estresse pós-traumático.

No albergue provisório localizado no restaurante solidário El Edén estavam 28 famílias, as quais receberam os serviços de RFL dos voluntários da Cruz Vermelha Guatemalteca por meio de comunicação telefônica, possibilitando que eles restabelecessem o contato com parentes em diferentes lugares do país. Este serviço foi muito apreciado, os contatos foram reconfortantes e os sorrisos foram a melhor prova do sucesso da operação.

Finalmente, o albergue localizado no salão dos Oficiais da Polícia Nacional na Zona 6 da cidade da Guatemala, onde se encontravam alojadas 30 famílias, que também receberam ajuda para restabelecer o contato com seus familiares por meio de comunicação telefônica, também foi visitado.

" O restabelecimento de contatos familiares é muito importante para a segurança das pessoas; estes acontecimentos são inesperados e desestruturam o esquema cotidiano das famílias, os laços familiares são severamente afetados pela separação, o que torna imprescindível restabelecê-los para que as pessoas possam seguir adiante e superar a experiência do desastre " , explicou Vergara.

“Gratificante” é a resposta que os voluntários dão quando lhes perguntam qual é a sensação que a realização dessa atividade provoca. Acrescentam que escutar o relato da experiência vivida pelas vítimas é também uma maneira de ajudar. Não só as contribuições materiais são necessárias; o restabelecimento dos laços familiares também é de grande ajuda para as pessoas poderem retomar sua vida com tranquilidade, asseguram.

A missão de Vergara foi concluída com a organização de uma oficina de RLF que contou com a participação de 23 voluntários, com o objetivo de melhorar sua preparação e de poder continuar prestando este serviço humanitário.

 

       

 
   
    Em seu plano de ação em favor das vítimas da tempestade tropical Agatha, a Cruz Vermelha Guatemalteca contribuiu com a doação de::

   
  • Kits completos (alimentos, higiene, utensílios domésticos, cobertores e mosquiteiros) para 280 famílias    
  • Kits completos (alimentos, higiene, utensílios domésticos, filtros de água, cobertores e mosquiteiros) para 1,5 mil famílias, doados pela Federação Internacional de Sociedades da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho (FICV)
  • Trabalhos de limpeza de poços para 1,5 mil famílias realizada pela FICV
  • Kits completos (alimentos, higiene, utensílios domésticos, filtros de água, cobertores e mosquiteiros) para 1,9 mil famílias, doados pela Cruz Vermelha Holandesa
  • Kits completos (alimentos, higiene, utensílios domésticos e cobertores) para mil famílias, doados pela Cruz Vermelha Espanhola
  • Pacotes com mosquiteiros, cobertores, toldos e kits de higiene e de cozinha para 1,5 mil famílias, doados pela Cruz Vermelha Espanhola
  • Limpeza de poços para 1,5 mil famílias realizada pela Cruz Vermelha Norueguesa
  • Três jornadas médicas realizadas pela Cruz Vermelha Norueguesa
  • Kits de alimentos para 750 famílias doados pela Embaixada da França
  • Kits de higiene para 2,5 mil famílias, doados pelo Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA)