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Líbano: uma mãe espera notícias do Iêmen

05-02-2010 Reportagem

No fim de julho, uma mensagem Cruz Vermelha finalmente pôs Hajje Mariam em contato de volta com sua filha, de quem não tinha notícias desde 1982. Semanas depois, o contato foi interrompido – um duro golpe para essa refugiada palestina. Khadija deixou o Líbano há 28 anos, em 1982, no auge da guerra com Israel. Agora outra guerra, desta vez no norte do Iêmen, arruinou as esperanças de Hajje Mariam de vê-la de novo.

 

    ©CICR/S. El Kadi      
   
 

Hajje Mariam, segurando um antigo retrato de sua filha desaparecida, dita uma mensagem Cruz Vermelha a um delegado em sua casa perto de um campo de refugiados palestinos no sul de Beirute.

   
     

Sentada na entrada de sua casa de dois cômodos na periferia de um campo de refugiados palestino no Líbano, Hajje Mariam dita uma nova mensagem Cruz Vermelha a um delegado do CICV, na esperança de que sua filha a receba. " Tudo o que quero é saber se minha filha está viva, ainda que seja uma vez " , nos conta.

" Não tivemos notícias dela desde agosto e estou preocupada que algo tenha lhe acontecido por causa da guerra em Saada " . Hajje Mariam enxuga uma lágrima de seu rosto enrugado, enquanto se lembra da curta alegria que teve quando retomou o contato com Khadija. Quando um delegado do CICV entregou uma mensagem Cruz Vermelha de sua filha em julho de 2009, ela pulou de felicidade. " Foi um milagre. Mal podia acreditar que ela estava viva " .

Depois de restabelecer contato por meio de uma troca de mensagens Cruz Vermelha, Khadija telefonou para seus parentes no Líbano pela primeira vez desde 1997. " Ela telefonou em agosto, poucas semanas depois de termos respondido sua mensagem Cruz Vermelha. Ela nos disse que estava vivendo em um campo de refugiados no norte do Iêmen. Desde então não houve mais nenhuma única palavra " .

   
    ©CICR/S. El Kadi      
   
 

Tudo o que Hajje Mariam quer é ver sua filha entrar de novo por essa porta.

   
    Em agosto do ano passado, o conflito voltou a acontecer no norte do Iêmen, o que pode ter obrigado Khadija a se mudar. " Não consigo entender porque ela não nos contatou mais desde agosto. Espero que nada tenha lhe acontecido. Talvez ela tenha que ter saído com pressa… Não sei. Estou preocupada que ela tenha morrido " .
 
Khadija tinha 15 anos quando foi embora da casa de seus pais no campo de refugiados palestinos de Borj Barajneh, sul de Beirute. Ela foi evacuada com seu marido, um combatente palestino, e outros combatentes da Organização Palestina de Liberação deportados durante a guerra de 1982. " Chorei como se minha alma estivesse saindo de meu corpo, quando ela saiu por aquela porta. Foi a última vez que a vi " .
 
Ela se lembra de que pela primeira vez desde a partida de sua filha, há dez anos, Khadija mandava notícias com regularidade a sua família no Líbano. " Depois, de repente, houve um silêncio total, como se ela tivesse desaparecido completamente " .
 
Hajje Mariam conta como viajou para o Iêmen em 1997 em busca de sua filha. Mas Khadija já havia se mudado: " Passei 25 dias buscando-a. Bati em todas as portas e contatei todas as pessoas que poderiam saber algo dela, sobretudo os libaneses e palestinos que viviam em Sanaa, mas sem sucesso " . Ela abandonou a busca pela filha depois de cair doente e voltar ao Líbano de mãos vazias.
 
Mãe de dez filhos, Hajje Mariam perdeu dois filhos para as guerras que devastaram o Líbano por muitas décadas. Saber o que aconteceu com sua filha significaria um mundo para ela. " Quero muito vê-la antes de morrer " , diz a senhora de 76 anos, " estou muito doente e vê-la seria um bálsamo para alguém de minha idade " .
 
O CICV encaminhou imediatamente a mensagem Cruz Vermelha para a delegação no Iêmen, onde a equipe fará o possível para entregá-la o quanto antes.