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Mianmar: famílias vítimas do ciclone estão ‘sãs e salvas’

05-06-2008 Reportagem

O restabelecimento dos laços familiares cumpre um papel importante no serviço de ajuda da Sociedade da Cruz Vermelha de Mianmar após a devastadora passagem do ciclone Nargis. Os especialistas do CICV estão ajudando a fortalecer a eficácia da Sociedade Nacional para reunir os familiares.

Ma Ohnmar perdeu todos os seus pertences quando o ciclone passou no dia 2 de maio. A vila onde morava, Taung Chaung, no distrito de Bogale (parte da Divisão Ayeyarwady), foi devastada. Felizmente, todos os membros de sua família sobreviveram e conseguiram chegar a um monastério em Maubin – numa viagem de dois dias.

Foi no monastério que Ma Ohmar encontrou os membros de uma equipe conjunta da Sociedade da Cruz Vermelha de Mianmar e do CICV. A equipe viajou até a região para determinar a natureza e a escala das necessidades relativas ao restabelecimento dos laços familiares (RLF). O programa RLF, iniciado pela SCVM logo após a passagem do ciclone, está formulado para reduzir o sofrimento provocado pela perda de contato com os entes queridos, e se preocupa com o bem estar deles e com o medo que sentem do desconhecido.

Ma Ohmar teve a chance de completar uma Mensagem ‘São e Salvo’ para sua irmã Daw San San Myint, em Yangon. A mensagem trazia um breve detalhamento da sua localização atual e notícias de que ela e seus familiares estavam vivos e fora de perigo, apesar do angustiante momento que viveram.

Enquanto isso em Yangon, Daw San San Myint estava muito preocupada sobre o destino de sua irmã mais nova. Passaram-se mais de três semanas desde que o ciclone atingiu a zona e, embora outros parentes tivessem conseguido voltar para a segurança de suas casas, ela não recebeu notícias de Ma Ohmar. Até que uma equipe da SCVM chegou.

A equipe foi recebida pela sobrinha de Ma Ohmar, que lhes disse que sua mãe não estava em casa naquele momento. Ela garantiu que lhe transmitiria a mensagem . “Ela vai ficar muito feliz,” declarou a sobrinha para a equipe da SCVM. “O ciclone foi terrível, mas não saber o que aconteceu com a minha tia foi ainda pior.”

A mensagem de Ma Ohmar foi uma das primeiras a serem entregues como parte de um vasto programa, que deve se estender por muito tempo. “ A SCVM não estava preparada para este tipo de desastre”, disse Su Su Lynn, a nova chefe da Unidade RLF no centro de operações da SCVM em Yangon.

“Embora estivéssemos acostumados a entregar Mensagens Cruz Vermelha, as necessidades desta vez são muito diferentes. Tivemos que começar do zero. Também sabemos que vai levar tempo para chegar até os vilarejos atingidos. Mas vale a pena. Sem a SCVM, muitas pessoas simplesmente não teriam como se comunicar com seus entes queridos.”

Monique Crettol, uma experiente delegada de buscas do CICV, concorda: “A SCVM não possui todos os recursos para procurar ativamente por cada destinatário. Vamos sempre fazer o melhor, mas também pode ser que tenhamos de usar as ferramentas dos meios de comunicação de massa como cartazes, jornais e rádio para informar as pessoas.”

Su Su Lynn, sua equipe da SCVM e o crescente número de voluntários estão comprometidos na tarefa de aliviar o sofrimento dos sobreviventes do ciclone. “Hoje foi um sucesso”, sorriu, “mas infelizmente sabemos que não poderemos dar a notícia esperada para muitas pessoas " , acrescentou com pesar.

Após quatro semanas, as chances de identificar os corpos que ainda continuam no terreno são ínfimas. Os voluntários da SCVM estão sendo progressivamente treinados e equipados para lidar com os restos mortais, cuja maioria se encontra em um avançado estado de decomposição.

“Não é responsabilidade direta da SCVM lidar com os corpos,” disse Pierre-André Conod, chefe da delegação do CICV em Mianmar. “No entanto, reconhecemos a necessidade de liberar os corpos c om um máximo de dignidade. Os voluntários da SCVM têm sido de bastante ajuda nesta difícil tarefa.”

O CICV mobilizou sua longa experiência para ajudar a SCVM no programa RLF e nas atividades associadas com os restos mortais. Delegados especialistas, tanto expatriados como locais, foram colocados de prontidão para assegurar que as mensagens ‘São e Salvo’ e ‘Ansioso por Notícias’ sejam recolhidas e tratadas de maneira eficiente pela equipe da SCVM e pelos voluntários.

A equipe do CICV está ajudando a SCVM a estabelecer os sistemas necessários, como treinar voluntários e colaborar com outras agências e organizações que têm preocupações similares. O CICV também colocou à disposição um especialista forense para esclarecer como os voluntários da SCVM podem lidar com os restos mortais de uma maneira segura, digna e que obedeça às normas legais. A organização também forneceu kits com todo o equipamento necessário.