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Índia: mais do que simples visitas aos presídios

25-09-2009 Entrevista

Localizada no coração de um país gigante, com mais de um bilhão de habitantes, a delegação está em constante ebulição. Ao mesmo tempo em que o trabalho relacionado com as detenções continua sendo o número um da lista, o CICV também apoia a Cruz Vermelha Indiana em seu trabalho com as pessoas afetadas pela violência. O chefe da delegação, François Stamm, fala sobre a variedade de atividades que o CICV realiza na Índia e os desafios que tem adiante.

  Na Índia, o CICV é mais conhecido por suas visitas aos militantes da Caxemira em centros de detenção. O que a organização faz pelas vítimas de violência no resto do país?  

As atividades do CICV na Índia continuarão voltadas para o trabalho com os detidos relacionados com Jammu e a Caxemira. Essas atividades começaram em 1995 e são conduzidas de acordo com o memorando entre o governo da Índia e o CICV. A delegação também está ativa em outras áreas de Índia afetadas pela violência armada e aumentou seu apoio às filiais locais da Cruz Vermelha Indiana, sobretudo no nordeste e nos estados afetados pelo movimento maoísta Naxalite.

Em aldeias remotas de Maharastra Oriental, o CICV apoia a clínica móvel da Cruz Vermelha Indiana que presta atendimento médico à maioria dos moradores e permite que os doentes e feridos sejam evacuados para um hospital adequado. Também distribui socorro no estado de Chhattisgargh. Em Assam, as equipes da Cruz Vermelha Indiana e do CICV entregaram utensílios domésticos, além de providenciar instalações de água e saneamento para deslocados e outras pessoas afetadas pela violência étnica. A delegação continuará apoiando a Cruz Vermelha nessas áreas, sobretudo no campo da saúde.

Nossa delegação promove o DIH e padrões internacionais relacionados entre as forças armadas, a polícia e estudantes. Também realiza campanhas para aumentar a conscientização das questões humanitárias na mídia. Por fim, nosso departamento jurídico assessora as autoridades nacionais do sul da Ásia quanto à ratificação e à implementação dos tratados de DIH. Definitivamente somos uma delegação muito ocupada!

  O senhor acaba de completar seu primeiro ano na Índia. Quais têm sido seus desafios até o momento?  

Nossas equipes avaliaram as necessidades humanitárias e sanitárias das pessoas afetadas pela violência nos estados de Assam e Nagaland, no nordeste do país, bem como nas regiões de onde o movimento (maoísta) Naxalite é ativo. Em breve, esperamos poder começar a trabalhar com a Cruz Vermelha Indiana para ajudar as vítimas mais vulneráveis dessa violência.

O governo indiano validou a abordagem neutra e imparcial do CICV na ajuda às vítimas do conflito com a doação de bens no valor de $ 5 milhões durante o conflito com o Sri Lanka, que seriam distribuídos de acordo com nosso modus operandi . Esse é um passo importante e encorajador em direção à crescente cooperação entre o CICV e as autoridades indianas.

  Quais são as questões a organização pretende trabalhar?  

O CICV tem como objetivo fortalecer o diálogo com o governo quanto a questões operacionais que afetam a Índia diretamente, enquanto que ao mesmo tempo, pretende desenvolver uma relação mais ampla que se refletiria no crescente papel internacional da Índia como potência emergente. Já começamos a discutir pontos de vistas com relação a questões como Sri Lanka e Afeganistão e esperamos aprofundar nossos contatos e discussões sobre outras questões multilaterais.