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Sudão / Chade: funcionário do CICV libertado, Laurent Maurice, conta sua experiência

09-02-2010 Entrevista

Depois de 89 dias do sequestro em leste do Chade, Laurent Maurice, agrônomo do CICV, foi liberado. Outro membro do CICV, Gauthier Lefèvre, foi tomado como refém no dia 22 de outubro de 2009 em Darfur Ocidental e ainda está em cativeiro. O CICV permanece preocupado com Lefèvre e continua pressionando por sua liberação incondicional. Laurent Maurice conta a Saleh Dabbakeh, do CICV, em Cartum, pouco depois de sua liberação.

 

©CICV/S. Dabbakeh 
   
Laurent Maurice, três dias depois de sua liberação. 
     

  O senhor foi liberado há três dias. Como se sente?  

Para começar, agora posso rir alto. Não era fácil me expressar durante o cativeiro, já que eu não deveria chamar a atenção. Desde minha liberação, falei com amigos e colegas. Pude falar com a família por telefone e poderia vê-los em breve. Eles estão muito felizes de falar comigo, mas querem ver seu filho, senti-lo, ver como está depois do sequestro.

  Como os sequestradores o trataram?  

     

Como um convidado, mas eu mantinha distância deles para mostrar respeito e conseguir o respeito deles. Em geral me davam comida europeia e às vezes eu me cansava de comer macarrão duas vezes por dia. Mas mesmo que tenham me tratado bem, eu estava ali contra minha vontade.

     

  O senhor sabia o que acontecia no mundo?  

Os sequestradores me davam um rádio sempre que eu pedia e, por exemplo, ouvia notícias sobre a conferência ambiental em Copenhaguen. Mas o rádio era mais do que uma fonte de notícias; era uma forma que minha mente encontrou para escapar do que estava passando. Era uma maneira de deixar o lugar, sair do lugar ao qual estava restrito. Depois me encontrava com a realidade. Era um tipo de alívio temporário.

     

  Como o sequestro afetou seus planos com relação ao CICV e o trabalho humanitário?  

Essa é minha vocação e minha profissão. Comecei no campo humanitário em 1998 e sempre quis trabalhar para o CICV. Agora trabalho e quero continuar. As pessoas afetadas por conflitos armados que precisam de segurança e assistência não têm nada a ver com os sequestradores. Elas precisam de água potável, melhores colheitas, alimentos, abrigos, etc. Escolhi trabalhar no âmbito humanitário para ajudar essas pessoas.

  Quando o senhor soube que seria liberado?  

Os sequestradores me avisaram no dia anterior. Reconheço que dormi pouco essa noite. Fiquei acordado olhando as estrelas e a lua, pensando se isso ia mesmo acontecer, se eu finalmente seria liberado. Depois de todo esse tempo em cativeiro, as coisas pareciam acontecer de repente. Você sabe que está livre quando isso, de fato, acontece.

Quero agradecer a todos que contribuíram para minha liberação e encorajá-los a continuar dando o melhor de si para liberarem Gauthier.

  Que mensagem o senhor gostaria de mandar a Gauthier?  

     

Minha mensagem é de esperança. Espero que Gauthier seja liberado em breve. Quero lhe dizer que uma montanha de coisas felizes o aguarda. Há muito amor, muita esperança, muitos amigos e toneladas de mensagens. Espero que minha liberação leve a que ele seja liberado em breve. Sei que não é fácil esperar dia após dia para ser liberado. Mas tenho certeza de que sua liberdade chegará logo.