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Angola : um rapaz foi reunido com a sua mãe ainda antes das actividades do CICV diminuírem

26-03-2009 Comunicado de imprensa 09/59

Luanda / Genebra (CICV) – Um dos últimos actos do Comité Internacional da Cruz Vermelha (CICV), antes de diminuir as suas actividades em Angola, vai ser hoje a reunião de um rapaz com a sua mãe em Mussende, cerca de 400 km a sudoeste da capital Luanda.

O Serafim e a sua mãe perderam contacto há dez anos, depois do pai ter morrido em combate. “Sinto-me muito feliz por poder voltar à casa da minha mãe”, disse o Serafim. “Pensei que não voltaria mais a vê-la. Tudo isto me parece um milagre”.

O Serafim pediu auxílio ao CICV em 2007. Um ano mais tarde, o CICV em colaboração com a Cruz Vermelha de Angola, conseguiu localizar a mãe em Mussende, onde ela se encontra agora, esperando ansiosamente o regresso do seu filho. O Serafim é uma dos milhares de crianças que foram separadas das suas famílias entre 1975 e 2002. Desde o fim da guerra civil, o CICV e a Cruz Vermelha de Angola investigaram os destinos de mais de 2000 crianças abandonadas, reuniram mais de 750 famílias e trataram 433.000 mensagens da Cruz Vermelha (mensagens curtas com noticias das famílias).

No fim dos anos 1980, Angola foi a cena das operações do CICV da maior importância na África. Presentemente, sete anos depois do fim do conflito que devastou este país, o CICV está a reduzir as actividades que vinha desenvolvendo aqui desde 1975. A partir de Julho deste ano, vai fechar a sua delegação em Luanda, mantendo todavia um escritório nesta cidade, dependente da delegação do CICV da África do Sul. Este escritório de Luanda vai dar apoio a certos programas, tais como os que dizem respeito ao restabelecimento de elos familiares. O CICV vai continuar também a dar assistência ao governo na sua acção para incorporar disposições de Direito Internacional Humanitário na sua legislação nacional. Em Cabinda, o CICV vai também continuar a fazer visitas a detidos de uma maneira regular.

“Hoje em dia, o papel da Cruz Vermelha Nacional ou da Sociedade do Crescente Vermelho co nsiste tipicamente em tomar a direcção de assuntos domésticos relativos a preocupações humanitárias” explicou Maryse Limoner, chefe cessante da delegação do CICV. “ A Cruz Vermelha de Angola tem uma vasta equipa de voluntários e de pessoal que poderão continuar a dar assistência a todos os que dela necessitem”.

No ano passado, o CICV transferiu já para o Ministério da Saúde, o seu programa de reabilitação de vítimas de minas terrestres e encerrou a sua subdelegação no Huambo.

Além de investigar destinos de pessoas desaparecidas e de reunir famílias, o CICV tem participado em outras actividades em Angola, tais como actividades relativas a assistência médica, reabilitação física, serviços de aguas e saneamento, protecção da população civil, visitas a detidos e ainda promoção de Direito Internacional Humanitário entre forças armadas. 

  Para informações complementares, contactar:  

  Maryse Limoner, CICV Luanda, Tel. +244 924 068 523  

  Nicole Engelbrecht, CICV Nairobi, Tel. +254 20 2723 963 ou +254 722 512 728  

  Anna Schaaf, CICV Genebra, Tel. + 41 22 730 2271 ou + 41 79 217 3217