Lembrando Hiroshima: o desarmamento nuclear é um imperativo humanitário

06-08-2014 Declaração oficial

O envolvimento do Movimento Internacional da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho no debate nuclear remonta o momento em que a primeira bomba atômica foi lançada sobre Hiroshima. No dia 6 de agosto de 1945, às 8h15, houve um clarão sobre a cidade e, em pouco tempo, milhares de pessoas estavam mortas, os hospitais e os centros de saúde, incinerados e a cidade, em ruínas.

Genebra (FICV/CICV) – Mas em meio a esta terrível devastação, um hospital sobreviveu. O Hospital da Cruz Vermelha Japonesa – que por milagre escapou de ser completamente destruído apesar da sua proximidade com o epicentro da explosão – e ficou lotado com a chegada das vítimas. Ainda assim, a maior parte dos equipamentos e os remédios estava destruída ou inutilizada, e muitos dos seus médicos e enfermeiros foram mortos ou feridos. Mas havia dedicação e ajuda por chegar. O Dr. Marcel Junod, do Comitê Internacional da Cruz Vermelha, ouvira sobre a devastação e tornou-se o primeiro médico estrangeiro a avaliar o evento. Os seus relatórios eram uma narrativa assustadora do que aconteceu depois de uma explosão nuclear.

A questão das armas nucleares continuou sendo uma grave preocupação para o Movimento Internacional da Cruz Vermelha ao longo dos últimos 69 anos. 

A questão das armas nucleares continuou sendo uma grave preocupação para o Movimento Internacional da Cruz Vermelha ao longo dos últimos 69 anos. Manifestamos a nossa preocupação com relação ao impacto humanitário das armas nucleares após terem sido usadas em Hiroshima e Nagasaki. Como consequência, em 1948, a 17ª Conferência Internacional do Movimento Internacional da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho adotou uma resolução que fazia um apelo para a proibição do uso de armas atômicas. Esta foi seguida por uma resolução da 18ª Conferência Internacional, em 1952. Outras resoluções também instavam a proibição de todas as armas de destruição massiva.

Mais recentemente, em 2011, o Conselho de Delegados do Movimento Internacional da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho voltou a manifestar a sua preocupação. O conselho adotou uma resolução (em espanhol) que estabelecia que estava ‘profundamente preocupada com o poder destrutivo das armas nucleares, o sofrimento humano indescritível que elas causam, a dificuldade de controlar os seus efeitos no espaço e no tempo, a ameaça que causam para o meio ambiente e as futuras gerações e os riscos de escalada que criam’. Também fez um apelo para que os Estados garantam que as armas nucleares nunca mais voltem a ser usadas e para que os mesmos insistam em negociações que proíbam e eliminem completamente as armas nucleares com base nos compromissos e obrigações internacionais existentes. A determinação do Movimento em trabalhar para alcançar esses objetivos foi posteriormente expressa em um plano de ação de quatro anos adotado em 2013.

Acolhemos com satisfação o fato de os Estados terem começado a prestar mais atenção às consequências humanitárias das armas nucleares. As conferências internacionais realizadas em Oslo, Noruega, em 2013, e em Nayarit, México, em 2014, foram eventos importantes que ajudaram a lançar luz sobre os terríveis efeitos de uma detonação nuclear. Essas reuniões nos confirmaram que o uso de quaisquer armas nucleares seria catastrófico e apresentaria sérias preocupações segundo o Direito Internacional Humanitário (DIH). De fato, hoje mais do que nunca, parece-nos difícil vislumbrar como o uso de quaisquer dessas armas poderia ser consistente com esse conjunto de lei.

Sendo a maior rede humanitária do mundo, uma das nossas tarefas mais importantes é garantir que o nosso apelo seja ouvido por todos e que o próximo ano proporcione inúmeras oportunidades para fazê-lo.

O ano de 2015 marcará o 70º aniversário do bombardeio atômico de Hiroshima e Nagasaki. Este é um momento importante para o Movimento Internacional da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho e, na verdade, para o mundo todo, para refletir sobre os perigos dessas armas e lembrar-nos sobre a necessidade de proibi-las e eliminá-las de uma vez por todas.

 

Instamos as organizações internacionais e não governamentais, assim como os componentes do Movimento Internacional da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho a redobrarem os seus esforços de conscientização quanto às consequências humanitárias do uso de armas nucleares.

Além disso, os Estados continuarão considerando as consequências do uso de armas nucleares na Terceira Conferência sobre o Impacto Humanitário das Armas Nucleares, que terá a Áustria como país anfitrião, em dezembro. Em 2015, a Conferência de Revisão do Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares também será um momento importante para os Estados para considerarem as discussões das reuniões em Oslo, Nayarit e Viena e refletirem sobre como avançar melhor na questão do desarmamento nuclear. Esperamos que os Estados que participem desses fóruns levem em conta os pontos de vista do Movimento no que se refere às armas nucleares e os nossos apelos para uma ação mais intensa nessa área. O Conselho de Delegados e a Conferência Internacional da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho de 2015 também serão uma oportunidade para avaliar as atividades do Movimento relativas a esse assunto.

Para encerrar, acreditamos que o ano que vem será um momento crucial nas discussões sobre as armas nucleares. Instamos as organizações internacionais e não governamentais, assim como os componentes do Movimento Internacional da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho, a redobrarem os seus esforços de conscientização quanto às consequências humanitárias do uso de armas nucleares. Também instamos todos os Estados a reconhecerem que o desarmamento nuclear é um imperativo humanitário e refletirem sobre como podem avançar de maneira significante na direção de um mundo livre de armas nucleares.

A humanidade teve a sorte de que as armas nucleares não foram usadas desde esses trágicos dias em agosto de 1945. Devemos fazer todo o possível para garantir que casos como Hiroshima e Nagasaki nunca mais voltem a acontecer.

Tadateru Konoe,
Presidente, Federação Internacional das Sociedades Nacionais da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho

Peter Maurer,
Presidente, Comitê Internacional da Cruz Vermelha


 

Mais informações:
Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV):

Alexis Heeb, Unidade de Relações Públicas, CICV, Genebra
Celular: +41 -(0)79-2187610 - Escritório: +41 -(0)22- 7303772 –
E-mail: aheeb@icrc.org - Twitter: @AHeebICRC

Federação Internacional das Sociedades da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho:

Benoit Matsha-Carpentier, Líder da equipe, Comunicação Pública, FICV, Genebra
Celular: +41 79 213 24 13 - E-mail: benoit.carpentier@ifrc.org - Twitter: @BenoistC