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Assistência emergencial para os deslocados em Darfur

24-10-2008 Relatório de operações

O CICV distribuiu gêneros de socorro para milhares de pessoas deslocadas por confrontos comunitários na localidade de Muhajiryya, sul de Darfur, no início de outubro. A organização também continuou a conduzir suas atividades humanitárias regulares nas zonas rurais de Darfur. Em outras regiões do Sudão, as equipes do CICV enfrentaram outras emergências, incluindo enchentes em Aweil, no sul.

     
©ICRC/P. Dutilleul/sd-e-02318 
   
Distribuição do CICV para as pessoas deslocadas em Darfur. 
           

  Combates em Darfur Sul  

     

Milhares de civis, a maioria mulheres e crianças, foram deslocados pelos combates que se travaram por causa da disputas em torno de gado e outros rebanhos nas redondezas da cidade de Muhajiriyya e nos povoados de Sinet e Shabad, em Darfur Sul, no início de outubro. A maioria dos civis fugiu para áreas mais seguras em Muhajiriyya, que fica a cerca de cinco horas de carro ao leste de Nyala, a capital do Estado.

A maioria dos deslocados buscou abrigo sob as árvores e em um wadi próximo (rio que se forma de acordo com a estação do ano), onde há água disponível. Mas com a proximidade do inverno, suas condições de vida poderiam piorar rapidamente.

Os confrontos criaram uma situação precária de segurança na área, dificultando ainda mais o acesso aos deslocados. A abordagem imparcial, neutra e independente do CICV permitiu que a organização conseguisse as garantias de segurança necessárias de todas as partes envolvidas nos confrontos armados antes de enviar uma equipe de avaliação para a área.

Depois de uma visita para Labado e Muhajiriyya – onde a maioria dos deslocados buscou refúgio – e consultas com as comunidades e autoridades locais, na semana passada o CICV distribuiu gêneros de socorro para as pessoas que foram obrigadas a fugir de casa. " As pessoas ficaram sem nada para cobrir as necessidades mais básicas " , afirmou Juan Carlos Carrera, chefe da sub-delegação do CICV em Nyala, que supervisionou os esforços de dis tribuição. " Fornecemos colchões para dormir, roupas e lonas para mais de 4 mil pessoas, incluindo alguns idosos e pessoas com problemas de locomoção. "

Graças às lonas, as pessoas deslocadas puderam deixar os wadi para locais mais altos. " Isto vai ajudar a evitar a contaminação das fontes de água nos wadi " , afirmou Ismail Shomo, um oficial de terreno do CICV que participou da distribuição. " Os gêneros de socorro que distribuímos são importantes porque o inverno está chegando e as pessoas precisam de condições de moradia adequadas para enfrentar o frio. "

" A distribuição aconteceu na hora certa. Estamos numa situação ruim " , disse Abakir, um dos deslocados de Sinet. " Eu precisava trocar minhas roupas rasgadas e não tenho dinheiro para comprar novas. "

  Ajuda às comunidades rurais  

Em Darfur, o CICV concentra suas atividades de socorro nas comunidades rurais vulneráveis que freqüentemente não recebem assistência de outras organizações humanitárias. O trabalho do CICV visa a permitir que as pessoas possam permanecer em seus vilarejos, ao invés de precisar sair para os campos que recebem os deslocados. O CICV ajuda as comunidades a melhorar o acesso à água e apóia as comunidades que abrigam as pessoas deslocadas.

Os comitês de água em Foroj e Um Il-Maharek, em Darfur Norte, que foram instalados com a assistência do CICV em 2007, receberam peças de reposição para bombas d´água, além de canos e outros suprimentos para garantir que possam manter por conta própria um suprimento adequado de água limpa.

Em Seleia, uma cidade perto da fronteira de Darfur Ocidental com o Chade, o CICV reformou a rede de água. Em todo Darfur, a organização consertou d ezenas de bombas manuais de água e poços. Graças ao apoio do CICV, quase 100 mil pessoas se beneficiaram diretamente da melhora no abastecimento de água em agosto e setembro.

No campo de Gereida, um dos maiores do mundo a abrigar pessoas deslocadas por conflitos armados, o CICv distribuiu rações mensais de comida para 130 mil pessoas. Também ajudou-as a conseguir água potável, cuidados médicos preventivos e curativos, e serviços de saneamento e nutrição.

  Cruz Vermelha e Crescente Vermelho ajudam vítimas das enchentes no sul do Sudão  

Depois das enchentes de meados de setembro em Awell, no norte do Estado de Bahr-Il-Ghazal, o Crescente Vermelho Sudanês, a Federação Internacional da Cruz Vermelha e as Sociedades do Crescente Vermelho forneceram ajuda urgentemente necessária para quase 7 mil pessoas. Dezenas de voluntários do Crescente Vermelho distribuíram lonas, cobertores, redes de proteção contra mosquitos, colchões, sabão, baldes e enlatados.

Os voluntários continuam a fazer campanhas para promover a cloração da água e a higiene em vários pontos de distribuição de água, em um esforço para evitar a doença. O CICV apóia as atividades do Crescente Vermelho Sudanês no sul do Sudão e se esforça para fomentar a capacidade da Sociedade Nacional de responder às emergências.

  Fortalecimento da capacidade cirúrgica em Darfur e no sul do Sudão  

Apesar do processo de paz, o sul do Sudão continua a experimentar um certo grau de violência armada. Duas vezes este ano, o CICV enviou sua equipe cirúrgica no terreno, que fica baseada em Darfur, para o sul do Sudão, para que ela operasse as pessoas feridas por armas de fogo e outras armas. Desde 2005 a equipe realiza procedimentos cirúrgicos para salvar vidas em Darfur.

A fim de melhorar o tratamento de feridos, o CICV também organizou seminários de cirurgia de guerra em Juba, no sul do Sudão, e em Aljeneina, em Darfur Ocidental, para mais de 50 profissionais de saúde locais, incluindo cirurgiões de outros médicos, enfermeiras e assistentes.

O Dr. Günter Wimhöfer, um cirurgião do CICV que trabalhou em zonas de guerra como o Afeganistão, Somália e Chechênia por mais de 20 anos, dirigiu os seminários. " O objetivo do treinamento é compartilhar o nosso conhecimento com os cirurgiões no Sudão, a fim de aperfeiçoar a sua capacidade de tratar de pacientes feridos por armas " , explicou.

  Telefonemas são vitais para internados em Guantánamo  

" Dois anos depois da nossa prisão, pela primeira vez tivemos permissão de nos comunicarmos com nossos parentes por meio das Mensagens Cruz Vermelha " , explicou um sudanês que estava em um campo americano na Baía de Guantánamo, Cuba, para a mídia sudanesa, após ser solto. Ele salientou o papel importante que as Mensagens Cruz Vermelha tiveram para a manutenção do contato com sua família, depois de ser preso no Paquistão, em 2001.

Até o final de 2007, essas mensagens eram o único meio de ligação entre a maioria dos internados e suas famílias, embora os internados também tivessem tido permissão de receber fotografias de suas famílias. Desde o início de 2008, as autoridades em Guantánamo também autorizaram os internados a fazer um telefonema por ano para falar com seus parentes.

O ex-internado sudanês foi autorizado a fazer sua primeira ligação telefônica para seus familiares só um mês antes de ser libertado.  " A ligação foi organizada pelo Comitê Internacional da Cruz Vermelha " , explicou, rodeado por pessoas da família. " Foi um grande avanço para todos nós. "

Desde janeiro de 2002, o CICV conduziu 34 visitas para internados na Baía de Guantánamo. Atualmente há cerca de 250 indivíduos mantidos em Guantánamo. Até junho de 2008, o CICV tinha ajudado na troca de quase 40.500 Mensagens Cruz Vermelha entre os internados e suas famílias, em mais de 30 países. Nos últimos dois anos, as famílias sudanesas enviaram mais de 200 Mensagens para seus filhos em Guantánamo.

  Mais informações:  

  Saleh Dabbakeh, CICV Cartum, tel: +249 912 137 764 ou +249 183 476 464