O Movimento Internacional da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho hoje fez um apelo coletivo de 3,1 bilhões de francos suíços para reduzir propagação da COVID-19 e assistir os mais vulneráveis em meio à pandemia. Kiana HAYERI / ICRC

Apelo da Covid-19: ninguém está seguro até estarmos todos seguros

Artigo 28 maio 2020

A COVID-19 é uma crise global que exige uma resposta global. Esta pandemia ameaça todos os aspectos da vida das pessoas, amplia as desigualdades e desestabiliza as comunidades. Para aumentar os serviços e o suporte para salvar vidas, para abordar os impactos imediatos da pandemia e suas repercussões sociais e econômicas duradouras, o Movimento Internacional da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho hoje fez um apelo coletivo de 3,1 bilhões de francos suíços (3,19 bilhões de dólares americanos).

O Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) trabalha em colaboração com as Sociedades Nacionais da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho para garantir assistência agora, mas também além dos efeitos imediatos da pandemia, com o objetivo de ajudar os mais vulneráveis com apoio à saúde mental, ajuda médica na zona de conflito ou assistência em relação aos meios de subsistência. Estamos pedindo mais apoio financeiro para poder fazer tudo isso.

Essa pandemia está criando necessidades críticas que permanecerão por muito tempo, sejam de apoio à saúde mental, de ajuda médica na zona de conflito ou de assistência em relação aos meios de subsistência. O CICV está trabalhando de mãos dadas com o Movimento Internacional da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho na encruzilhada da pandemia, o conflito armado e a violência, para garantir assistência agora, mas também além dos efeitos imediatos da pandemia, com o objetivo de ajudar as famílias no longo prazo

Robert Mardini, diretor geral do CICV

Nossa resposta de saúde

Em muitas áreas afetadas por conflitos e outras formas de violência, as estruturas de saúde que recebem apoio do CICV se encontram entre os poucos estabelecimentos em funcionamento. Estamos adaptando e reforçando nosso apoio atual para garantir a continuidade da assistência à saúde essencial durante a pandemia. Para ajudar a reduzir o risco de contágio, estamos colocando o foco em reforçar as capacidades de suas instalações que recebem apoio para implementar medidas de prevenção e controle de infecções e de saneamento, bem como para detectar a doença.

A saúde mental e as necessidades psicossociais das pessoas em contextos afetados por conflitos e pela violência são intensificadas pelos efeitos da crise da COVID-19. O CICV está adaptando seus programas para garantir a continuidade dos seus serviços, além de expandi-los para oferecer suporte aos trabalhadores na linha de frente. Mas não podemos fazê-lo sozinhos.

Nosso trabalho em centros de detenção

Os detidos não estão isolados da sociedade no que se refere às doenças infecciosas. Os centros de detenção estão frequentemente superlotados, têm problemas de ventilação e condições sanitárias deficientes; os serviços de saúde e as instalações de lavagem nem sempre são facilmente acessíveis. Esses fatores favorecem a propagação da doença e têm consequências catastróficas em tais ambientes, onde a taxa de transmissão é potencialmente muito mais elevada do que a de outros ambientes. A circulação constante de pessoas – detidos, pessoal e visitantes – traz o risco adicional de levar o vírus a locais de detenção ou de volta para a sociedade em geral.

O CICV representa um papel significativo na proteção dos detidos e do pessoal das prisões contra a propagação da COVID-19. Em muitos locais ao redor do mundo, o CICV tem acesso privilegiado aos centros de detenção, onde são realizadas visitas aos detidos para verificar o seu bem-estar e é feito um trabalho com as autoridades relevantes para abordar necessidades humanitárias específicas, que incluem o acesso à água e à assistência à saúde.

Em alguns casos, realiza intervenções técnicas e apoia os processos de reforma que têm como objetivo melhorar o tratamento e as condições de vida dos detidos. O CICV trabalha não apenas para mitigar a propagação do vírus dentro dos centros de detenção, mas também para evitar que seja levado para a sociedade em geral, onde poderia afetar ainda mais pessoas.

Acesso a água e saneamento

A falta de água e de saneamento adequado em muitas áreas afetadas por conflitos e outras formas de violência tornam difícil para essas pessoas implementar medidas básicas de controle de infecções, como a lavagem de mãos. As condições de higiene são especialmente inadequadas nas comunidades vulneráveis de baixos recursos e nas áreas que acolhem pessoas deslocadas, como os campos improvisados e os abrigos para migrantes. Em alguns casos, as restrições de movimento causaram uma limitação no acesso aos alimentos e a outros artigos essenciais, e a desaceleração da atividade econômica afetou os meios de subsistência das pessoas, o que ameaça a sua capacidade de satisfazer as suas necessidades básicas.

Em colaboração com as autoridades locais e os fornecedores de serviços, o CICV está implementando projetos para garantir que as pessoas tenham acesso a água potável e que possam manter uma higiene adequada, para evitar a propagação da COVID-19. Também está fornecendo assistência de emergência para garantir condições de vida decentes às comunidades afetadas pelas restrições de movimento, aos pacientes e o pessoal médico em centros de tratamento ou de quarentena, e a outros grupos particularmente vulneráveis.

Gestão segura e digna dos restos mortais

A quantidade de mortes causadas pela COVID-19 pode superar a capacidade das instituições e dos profissionais locais. Um planejamento inadequado das situações com vítimas em massa pode levar a que as pessoas sejam enterradas em valas comuns, o que causa sofrimento às famílias que talvez não saibam onde estão enterrados seus familiares. As medidas de contenção também podem incluir restrições nas práticas funerárias ou de enterramento, o que pode dificultar a possibilidade de manter costumes culturais ou religiosos, e exacerbar assim a sua dor.

O CICV está adaptando e aumentando o seu apoio às autoridades e a outros envolvidos na gestão de restos mortais, com base na sua experiência de emergências anteriores, incluindo o surto do Ebola de 2014–2015, na África Ocidental. A nossa abordagem se centra em reforçar a preparação para emergências e a capacidade de resposta, e em garantir que os patologistas, agentes funerários e outro pessoal estejam protegidos contra a doença. O CICV elaborou diretrizes – e vídeos e cartazes instrutivos – para garantir a dignidade dos cadáveres e de suas famílias durante a pandemia da COVID-19; também está intensificando seu envolvimento com as autoridades, as agências médico-legais, os profissionais forenses e outros especialistas, em coordenação com a OMS e a Federação Internacional.

Em alguns casos, o CICV também apoia a atualização de instalações usadas para a gestão de restos mortais.