Foto: Camila de Almeida/CICV

Brasil: Formação inédita promove gestão do estresse a profissionais de educação que convivem com a violência

Projeto piloto na área de saúde mental e apoio psicossocial foi organizado com a Secretaria Municipal de Educação de Fortaleza, parceira do CICV no programa Acesso Mais Seguro
Comunicado de imprensa 13 maio 2022 Brasil

Fortaleza (CICV) – A violência armada impacta serviços públicos essenciais em cidades brasileiras. Uma dessas consequências é sobre a saúde mental e bem-estar psicossocial de profissionais desses serviços, que mesmo diante das adversidades precisam continuar trabalhando em ambientes violentos. Como resposta, o Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) promoveu pela primeira vez uma oficina de gestão do estresse com profissionais da Secretaria Municipal de Educação de Fortaleza. A organização espera promover serviços mais resilientes aptos a atender as comunidades.

"Nosso principal foco é mitigar as consequências da violência armada, que realmente afeta o acesso aos serviços essenciais", explicou o chefe do escritório do CICV em Fortaleza, Mario Guttilla. "Reconhecemos a importância da saúde mental e do apoio psicossocial. É muito importante ter um espaço como esse".

Na avaliação da organização, a saúde mental precisa ser vista como prioridade para que profissionais estejam saudáveis, aptos e dispostos a receber, acolher e atender as populações.

Essa é a primeira vez que o CICV implementa uma capacitação sobre a temática com seus parceiros no marco da metodologia Acesso Mais Seguro para Serviços Públicos Essenciais (AMS) – para prevenir e mitigar os efeitos da violência armada sobre assistência à saúde, educação e assistência social. Em Fortaleza, a Secretaria Municipal de Educação (SME) implementa o AMS desde 2018.

Esta iniciativa inédita ocorreu nesta semana entre os dias 10 e 12 de maio. A formação reuniu 25 profissionais de educação que atuam em escolas da rede municipal de Fortaleza, incluindo psicólogos e mediadores de conflitos, que compõem o grupo de suporte à implementação do programa AMS.

A primeira durou três dias seguidos em sala de aula, com momentos de exposição conceitual, dinâmicas em grupo, troca de experiências e a construção de um protocolo de gestão de estresse. Foto: Camila de Almeida/CICV

"Esse é um momento histórico. Estamos dando início a uma jornada aqui em Fortaleza para a gestão do estresse. Vamos falar de prevenção e de formas inteligentes de gestão. Que possamos levar para casa um novo pensar e influenciar positivamente", celebrou o responsável pelo tema de saúde mental e apoio psicossocial da SME, George Feitosa Marinho.

"Temos a responsabilidade de garantir que nossas crianças estudem, aprendam e sigam em frente. O AMS tem um papel muito importante para que as escolas tenham harmonia, segurança e sejam espaços que promovam a paz.", apontou o o secretário adjunto da Educação, Jefferson Maia.

Entre os principais temas abordados estavam a gestão do estresse, autocuidado, habilidades para oferecer apoio psicológico básico para pessoas com crises diante de incidente críticos. A formação foi dividida em duas fases. A primeira durou três dias seguidos em sala de aula, com momentos de exposição conceitual, dinâmicas em grupo, troca de experiências e a construção de um protocolo de gestão de estresse no marco do programa AMS.

A segunda fase será composta por outros três encontros de seguimento de duas horas nos próximos meses, com o objetivo de trazer reflexões sobre protocolos, além de ser uma oportunidade de estudo de casos. Ao final, os profissionais da educação terão participado de uma formação de 18 horas.

"Muitas vezes em momento de risco e de crises, a gente resolve as necessidades básicas e cuidados imediatos e acaba ali. Porém, em muitas situações, depois que se resolve a crise, é preciso um serviço especializado. E ai que eu acredito que esses protocolos serão importantes. É uma alegria estar participando desse momento e muito fortalecedor ver esse tipo de cuidado nessa formação", destacou a técnica de mediação de conflitos Joelma Gomes.

A expectativa é que a experiência seja replicada com outras Secretarias de Fortaleza e até em outras cidades onde o Acesso Mais Seguro para Serviços Essenciais está presente. "No mês que vem, realizaremos uma formação com a Secretaria Municipal de Saúde. Essa experiência com a educação e com a saúde de Fortaleza são nosso projeto piloto. Vamos acompanhar os próximos meses com muita atenção e proximidade para que possamos trabalhar em possível expansão para outras cidades. Entendemos a importâcia de cuidar de todos os aspectos da saúde dos profissionais de serviços essenciais, inclusive da saúde mental e o apoio psicossocial. É prioritário cuidar de quem cuida", destacou Renata Reali, responsável do programa Saúde Mental e Apoio Psicossocial da Delegação do CICV no Brasil.

Leia mais sobre o programa Acesso Mais Seguro para Serviços Públicos Essenciais

Leia mais sobre o apoio do CICV à saúde mental das pessoas impactadas pela violência

 Mais informações
Diogo Alcântara, CICV Brasília, (61) 98248-7600, dalcantara@icrc.org
Sandra Lefcovich, CICV Brasília, (61) 98175-1599, slefcovich@icrc.org