Aden, Iêmen. Paciente com coronavírus é atendido no centro de saúde de Covid-19 apoiado pelo CICV.

CICV: Ômicron ressalta necessidade de intensificar vacinação no mundo inteiro, inclusive em zonas de conflito

Declaração da chefe da Equipe de Gestão da Crise da Covid-19 do Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV), Esperanza Martinez.
Comunicado de imprensa 02 dezembro 2021

A desigualdade no acesso à vacina afeta todos nós. A variante Ômicron evidencia o quanto estamos vulneráveis quando grandes partes do mundo não estão vacinadas. Se quisermos superar a pandemia da Covid-19, é absolutamente necessário vacinar as dezenas de milhões de pessoas que vivem em zonas de conflito e em outras áreas de difícil acesso.

Até agora, apenas uma pequena quantidade de vacinas chegou às zonas de conflito, onde é frequente que famílias e comunidades inteiras vivam sem acesso a serviços básicos de saúde. O CICV estima que atualmente mais de 100 milhões de pessoas vivem em áreas que estão sob o controle total ou parcial de grupos armados não estatais, e isso significa que elas costumam ficar fora do alcance das campanhas de vacinação conduzidas pelos ministérios da saúde.

Como podemos chegar a elas? Como garantir que elas não fiquem de fora dos esforços de vacinação e, portanto, expostas a novas variantes do coronavírus? Devemos tomar medidas contundentes e coletivas com um alcance mundial.

O papel do CICV nesta complexa tarefa é dar apoio às autoridades de saúde e às Sociedades Nacionais da Cruz Vermelha ou do Crescente Vermelho na implementação de planos nacionais de vacinação. O CICV também facilita a vacinação nas áreas de difícil acesso, ajudando a atravessar as linhas de frente por seu trabalho humanitário e neutro, e colaborando com a logística de transporte e a cadeia de frio.

Os conflitos armados são imprevisíveis. As infraestruturas e os sistemas de saúde costumam ficar enfraquecidos e em mau estado. As negociações com grupos armados podem ser demoradas e sensíveis. Vacinar as populações nessas áreas é um trabalho difícil e delicado. No entanto, é necessário.

A baixa taxa de vacinação nos países em conflito é alarmante. Na Etiópia, no Sudão do Sul e no Iêmen, cerca de 1,2% da população está totalmente vacinada. Essa taxa é de 3,5% na Somália e de 4% na Síria. Em contraste, a taxa global de população totalmente vacinada é de 43%, de acordo com dados da plataforma Our World In Data.

A rápida propagação da variante Ômicron no mundo mostra como é importante aumentar as taxas de vacinação em todos os lugares para reduzir o risco tanto para profissionais de saúde quanto para populações e reduzir a possibilidade de que surjam outras variantes. Vacinar as pessoas em zonas de conflito é um passo necessário para encontrar uma saída para a pandemia. Temos também que vacinar as pessoas detidas e aquelas que migram para outros lugares.

Exemplos do trabalho recente do CICV:

  • Na Colômbia, o CICV ajuda equipes itinerantes do Ministério da Saúde a conseguir acesso a áreas afetadas pelo conflito armado e a transportar vacinas para lá.
  • Na Indonésia, o CICV trabalha com a Sociedade da Cruz Vermelha Indonésia para apoiar equipes de vacinação em áreas remotas e sensíveis do leste do país.
  • Em Moçambique, o CICV facilita o transporte de vacinas e equipes de vacinação do Ministério da Saúde em três distritos afetados pelo conflito armado.
  • Na Ucrânia, o CICV ajudou a reforçar a infraestrutura de saúde para fornecer vacinas a comunidades do leste do país, inclusive aquelas afetadas pelo conflito armado.

Para obter mais informações ou solicitar uma entrevista com Martinez, entre em contato com Jason Straziuso pelo e-mail jstraziuso@icrc.org ou pelo número +41 79 949 3512.