Ebola: vítimas, estigma e medo

O combate contra o Ebola continua. Veja este mapa de março de 2014.

O Ebola eclodiu no oeste da África no final de 2013. Desde então, a doença matou milhares de pessoas e deixou profundas cicatrizes em muitos países e comunidades. Famílias foram devastadas. Os sobreviventes enfrentam dificuldades para voltar a uma vida normal e se reintegrar na sociedade. Em alguns lugares, as pessoas ainda se opõem às medidas que poderiam prevenir a disseminação da doença, em parte porque se atêm às práticas tradicionais de sepultamento. Equívocos e medo ainda perduram, colocando, às vezes, os funcionários e voluntários da Cruz Vermelha em risco.

O CICV e os seus parceiros do Movimento da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho fazem um apelo para que se renovem os esforços para combater o Ebola. As organizações pedem respeito e apoio aos que trabalham incansavelmente para manter as suas comunidades seguras. O CICV, a Federação Internacional e as Sociedades Nacionais ajudam os sobreviventes do Ebola a se reintegrarem nas comunidades, conscientizando sobre o estigma que os rodeia e incentivando as pessoas a tratá-los com respeito e dignidade.

O CICV e o Movimento continuarão fazendo todo o possível para vencer a doença. Isso inclui ajudar as comunidades a se recuperarem, fornecendo ajuda financeira para os sobreviventes e as famílias das pessoas que morreram, assim como limpando e reformando os estabelecimentos de saúde e as instalações hidráulicas, o que beneficiará toda a população.

Da prevenção à resposta

O CICV concentrou a resposta no apoio aos esforços das Sociedades da Cruz Vermelha locais para ajudar as pessoas afetadas, ao mesmo tempo em que colabora para assegurar que os voluntários e funcionários não sejam vitimados pela doença. A organização esteve ativa principalmente na Libéria e Guiné, onde opera há décadas, mas também apoiou os programas do Movimento em outros países da região, como o Senegal, Côte d'Ivoire e Mali.

1.543
sobreviventes do Ebola e familiares receberam ajuda financeira
75 mil
pacientes não contagiados pelo Ebola receberam assistência à saúde, graças ao apoio às instalações de saúde e treinamento de equipes
249
funcionários da Cruz Vermelha da Guiné aprenderam a lidar com problemas de segurança devido à falta de conhecimento e medo relacionados com o Ebola
Claire Aude Kaplun

Na Libéria, as operações do CICV se concentraram em garantir que as pessoas continuem obtendo assistência à saúde para condições que não estão relacionadas com o Ebola. A organização reformou estabelecimentos de saúde, capacitou profissionais, forneceu ajuda financeira e alimentou os sobreviventes, preveniu a disseminação do Ebola em centros de detenção, limpou áreas contaminadas e colaborou no tratamento seguro de esgoto contaminado.

Atividades do CICV na Libéria:

  • Forneceu ajuda financeira para 1.543 pessoas – sobreviventes do Ebola em Monrovia e os parentes das pessoas que morreram por causa da doença e cujos corpos foram sepultados pelas equipes da Cruz Vermelha da Libéria no Condado de Montserrado.
  • Entregou 7.396 refeições para 831 pacientes em dois centros de tratamento do Ebola e uma área de triagem em Monrovia.
  • Limpou áreas contaminadas pelo Ebola no Hospital Redemption em Moravia, permitindo que o hospital reabrisse e retomasse os serviços para mais de 150 mil pacientes.
  • Colaborou com as autoridades no tratamento de lixo potencialmente contagioso com o Ebola.
  • Promoveu a conscientização e as medidas preventivas entre 1,6 mil detentos e funcionários em 16 presídios.
  • Garantiu que os detentos continuassem tendo assistência à saúde.
  • Forneceu cestas alimentares adicionais para todos os detentos nos presídios da Libéria.
  • Apoiou e reformou três estabelecimentos de saúde em Monrovia, onde a instituição capacitou funcionários para prevenir e controlar o contágio, forneceu equipamento protetor e construiu ou reconstruiu infraestruturas de água e saneamento. Isso assegurou que 75 mil pacientes não contagiados pelo Ebola pudessem obter assistência à saúde, incluindo atendimento curativo (9.034 pacientes), consultas pré-natal (3.391 mulheres) e partos seguros (282 desde novembro de 2014).

Na Guiné, o CICV ofereceu capacitação e equipamento à Cruz Vermelha deste país. Também colaborou para prevenir uma maior disseminação da doença, com a conscientização, o incentivo de medidas preventivas e a distribuição de artigos de higiene. Graças ao trabalho realizado nos presídios, não foi reportado nenhum caso de Ebola nos estabelecimentos até agora.

Atividades do CICV na Guiné:

  • Colaborou com as autoridades para prevenir que o Ebola se dissemine nas prisões, entregando artigos como termômetros, água sanitária e sabão, e auxiliando na contratação de profissionais de saúde para os estabelecimentos das regiões afetadas pelo Ebola.
  • Assegurou que os detentos tivessem acesso à água potável e assistência à saúde adequada, conscientizando detentos e funcionários sobre a importância das precauções como lavar as mãos regularmente.
  • Capacitou 288 voluntários da Cruz Vermelha sobre como prevenir doenças, desinfetar casas e dar o tratamento final aos corpos de modo seguro e digno.
  • Capacitou 249 voluntários e líderes de equipes da Cruz Vermelha para lidar com problemas relacionados com os equívocos e medos sobre o Ebola. A capacitação reforçou a segurança necessária para trabalhar com as vítimas da doença.
  • Apoiou os esforços da Cruz Vermelha da Guiné para lidar com o Ebola, fornecendo capacitação sobre medidas preventivas, roupa de proteção, sacos mortuários, veículos, equipamentos informáticos, entre outros.
  • Trabalhou junto à Cruz Vermelha para conscientizar sobre as medidas preventivas e incentivar o respeito pelas suas equipes envolvidas no combate do Ebola. Incluiu a produção de vinhetas de rádio que foram transmitidas cerca de 5 mil vezes em 20 estações de rádio.